<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480</id><updated>2012-02-17T02:08:11.050Z</updated><title type='text'>Noite Transfigurada</title><subtitle type='html'>O meu espaço de reflexão sobre a vida, a ciência, a poesia, a saúde...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>143</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8459723881856702147</id><published>2012-02-10T18:45:00.003Z</published><updated>2012-02-10T20:05:54.766Z</updated><title type='text'>MÚSICA</title><content type='html'>Ponho-me  a ouvir música. E oiço Mozart, Chopin, Sibelius ou Jeno Hubay. Não importa, porque o que importa é o que me fica nos sentidos, qualquer coisa como a mancha que fica na parede de onde se tirou um quadro. Já lá não está o quadro, mas está a ideia do quadro e de o ter lá visto. Está o lugar em que fixei a minha atenção e onde libertei sentimentos, emoções, como se fosse um pedaço de alguém que ali tivesse sido pintado, e lá tivesse deixado, a forma, a côr, aquele movimento que parece ganhar relevo, numa tonalidade qualquer, mas surda, numa interpretação do meu olhar que apenas via o que pensava que via. &lt;div&gt;E Mozart soube-me a tantas coisas, e a morangos silvestres, e a Ingmar Bergman, e Chopin lembrou-me a George Sand, e a sua eterna tristeza pela Polónia perdida e querida, e Sibelius fez-me dançar a "Valsa Triste", que um dia um amigo me deu dizendo que ela ficava como hino da nossa amizade e a Hubay vi-o nitidamente no seu palácio em Pest, do outro lado de Buda, a compôr para a mulher a "Sonata Romântica", que ela quiz ouvir à hora da morte enquanto Budapest era invadida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ficou-me a recordação de tudo. De tudo isto misturado, numa música só, em que tu, meu amor, tocavas todos os instrumentos ao mesmo tempo enquanto regias a orquestra de ti, e eu me perdia a cavalgar ondas de um mar longínquo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tive mais gestos nem olhares para me aproximar de ti. O teu corpo não é tangível!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aproximemo-nos sim, mas pelo espírito. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na parede "O Grito", de Munch.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E também eu senti o grito infinito da natureza. Também me senti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8459723881856702147?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8459723881856702147/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8459723881856702147&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8459723881856702147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8459723881856702147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2012/02/musica.html' title='MÚSICA'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3561127473451398927</id><published>2012-02-10T18:10:00.002Z</published><updated>2012-02-10T18:44:52.728Z</updated><title type='text'>OXÍMORO</title><content type='html'>Às vezes dou comigo a pensar como tantas vezes sou eu e o meu oposto, quando me procuro em ti, e em ti me perco. &lt;div&gt;Sou uma espécie de oxímoro, essa figura de retórica, que no entanto nem sempre consigo que harmonize em mim as duas formas distintas de me ser o outro e ser eu na mesma, porque me interpreto, sendo então este conceito, o terceiro, o que resulta dos outros dois, e que começa sempre em mim e em mim acaba. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou uma espécie de oxímoro, nesta loucura lúcida, com que te olho e sinto, com que te olho e penso, em que me sinto o céu deste inferno, de te vêr nesta cegueira, de te vêr sempre aí, num não-lugar qualquer que sou eu, sempre eu, quando me lembro de ti esquecendo-me de quem tu és.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Oxímoro ou uma forma de me ser subjectivo?  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3561127473451398927?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3561127473451398927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3561127473451398927&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3561127473451398927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3561127473451398927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2012/02/oximoro.html' title='OXÍMORO'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-344228367726558784</id><published>2012-02-10T17:39:00.005Z</published><updated>2012-02-10T18:10:21.024Z</updated><title type='text'>Perco-me, sempre . . .</title><content type='html'>Perco-me sempre nesses teus olhos azuis, de um azul que sempre achei serem da côr do sonho. De um sonho que tenho sonhado sempre desde que vi esses teus olhos azuis. Sempre azuis.&lt;div&gt;E os teus beijos sabem-me sempre aos desertos que tantas vezes atravessámos juntos, à procura dos oásis do nosso contentamento, e onde por fim nos dessedentávamos de uma sede que tínhamos sempre um do outro, e que ao percorrermos as veredas nos areais desses desertos que inventávamos só para nós, ia crescendo, e sendo, sempre, a sede de nos termos,  por fim, "sem que houvesse entre tu e eu, nem um eu nem um tu" como dizia esse poeta persa, Rumi, de que tantas vezes te falo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E continuo a perder-me, sempre, em ti, numa busca de um absoluto qualquer, que só existe porque o vou sonhando, que só existe porque não é nenhum absoluto mas alguma coisa de relativo, feito desses teus olhos azuis que sempre me souberam a sonho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-344228367726558784?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/344228367726558784/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=344228367726558784&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/344228367726558784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/344228367726558784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2012/02/perco-me-sempre.html' title='Perco-me, sempre . . .'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3589948766266481816</id><published>2012-02-10T17:38:00.001Z</published><updated>2012-02-10T17:38:57.429Z</updated><title type='text'>Perco-me</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3589948766266481816?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3589948766266481816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3589948766266481816&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3589948766266481816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3589948766266481816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2012/02/perco-me.html' title='Perco-me'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2584216658586114744</id><published>2011-12-29T22:44:00.002Z</published><updated>2011-12-29T23:10:50.326Z</updated><title type='text'>Sentei-me à mesa</title><content type='html'>Sentei-me à mesa. Tirei do bolso um baralho de cartas. Baralhei-as, parti e dei-as aos meus parceiros que invento, imagino, sonho.&lt;div&gt;As cartas estavam em branco, como estão sempre em branco as cartas que escrevo a quem amo. Só para que adivinhem o que eu lá poderia ter escrito. E sou eu e mais três de mim, a jogar, a dizer coisas, a fumar e a beber. Até a fazer batota. Faço tantas vezes batota comigo mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas tudo, afinal, se passa dentro de mim, e a mesa não é senão a palma da minha mão aberta, em procura, sempre à procura. À procura!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei se de ti ou de mim. Mas à procura. Não sei se de ti ou de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois recolho as cartas, uma a uma. Escolho a que parece fazer-me mais sentido, meto-a numa garrafa que rolho para que a água não apague o que não escrevi, e atiro-a ao mar. Ao mar do meu esquecimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei se de ti ou de mim. Do meu esquecimento. Não sei se de ti se de mim. . .&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2584216658586114744?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2584216658586114744/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2584216658586114744&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2584216658586114744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2584216658586114744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/sentei-me-mesa.html' title='Sentei-me à mesa'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7783850204806278645</id><published>2011-12-29T22:18:00.003Z</published><updated>2011-12-29T22:44:15.271Z</updated><title type='text'>Esta noite</title><content type='html'>Esta noite sentei-me em frente de um tabuleiro de xadrêz, sem peças, e fui adversário de mim mesmo. Adoro jogar comigo. E perder. É uma forma como outra qualquer, de ser perverso.&lt;div&gt;Nem sequer sei jogar, nunca soube, mas imaginei-me apenas, como terá sido quando me sentei uma vez a jogar xadrêz com um persa, em Xiraz, no século XIII. O vinho era de lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E contei-me histórias, para o entreter. Mil e uma histórias. E dei comigo a vender tudo e a comprar espanto, como costumava dizer naquela altura um poeta meu amigo que se chamava Jalãl ad-Din Muahmmad Rumi. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E procurei nos frascos de uma farmácia antiga esta poesia, que por ser dele, eu gosto:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Vem&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E dir-te-ei em segredo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aonde te leva esta dança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vê como as partículas do ar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os grão de areia do deserto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Giram desnorteados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cada átomo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Feliz ou miserável,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gira apaixonado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em torno do Sol".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também eu giro apaixonado, desde sempre e até hoje, mas já não sei é se em torno do Sol, se da Lua, Tu, meu amor que não me encontras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' 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noite'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2405160626085203371</id><published>2011-12-10T22:19:00.002Z</published><updated>2011-12-10T22:27:29.829Z</updated><title type='text'>Todos os dias</title><content type='html'>Todos os dias se pode tirar alguma coisa de nós, só porque se está vivo e se vive a amar.&lt;div&gt;"Partir é morrer um pouco", como diz a letra de um fado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas viver também é morrer um pouco, como diz este fado que a todos nos reje e nos faz cantar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E todos os dias se pode cantar, só porque se vive e se vive a amar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2405160626085203371?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2405160626085203371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2405160626085203371&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2405160626085203371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2405160626085203371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/todos-os-dias.html' title='Todos os dias'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4237325002001608865</id><published>2011-12-10T22:01:00.004Z</published><updated>2011-12-10T22:18:59.551Z</updated><title type='text'>E a minha alma . . .</title><content type='html'>E a minha alma atormentada pelos espíritos dos ventos, caíu, entre choros e lamentos, como uma ave atingida em pleno vôo por uma seta certeira.&lt;div&gt;E beijei-te o olhar, como se já só pudesse beijar os ventos por ele a passar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E beijei o vento, que levou com ele o teu olhar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o teu olhar e o vento foi tudo o que me ficou nas mãos, para dar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a minha alma atormentada escorreu-te pela cara abaixo num sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a minha alma partiu sem me levar, mas deixou-me como presente, o teu olhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E eu, ave perdida pelos ventos, pude continuar a voar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4237325002001608865?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4237325002001608865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4237325002001608865&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4237325002001608865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4237325002001608865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/e-minha-alma.html' title='E a minha alma . . .'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5721029931260021106</id><published>2011-12-10T21:38:00.002Z</published><updated>2011-12-10T22:00:52.984Z</updated><title type='text'>Os Prados</title><content type='html'>Dos prados que pinto, mesmo que só com os pincéis da minha imaginação, espero sempre que me digam alguma coisa. Sempre tive, dentro de mim, essa esperança secreta de um dia os conseguir ouvir a falarem-me ao ouvido, num sussurro, como me sussurra sempre ao ouvido o vento dos meus sentidos, esses ventos que por mim passam, perdidos.&lt;div&gt;E fico à espera que me perguntem quem sou, como sou, do que gosto, no que penso, para assim começar a nascer entre nós uma amizade que sonho seja, pelo menos tão bonita, como os prados que pinto na minha imaginação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não oiço nada, por mais que espere. Os prados ficam calados, talvez por timidez, chego até a pensar. Se calhar como eu também. Há coisas em que somos tão parecidos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só depois é que descubro, numa quase exaltação, que esses prados me falam, sim, e me dizem coisas ternas nesse silêncio que eu não sei escutar, e de que não me consigo preencher.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E chego à conclusão que viver, e sentir o que se vive, é ficar só, a escutar o silêncio e a olhar a terra e o mundo com os olhos cheios da ternura que se tem pelo amigo que se ama mas não se consegue entender. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5721029931260021106?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5721029931260021106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5721029931260021106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5721029931260021106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5721029931260021106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/os-prados.html' title='Os Prados'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8892486449361328345</id><published>2011-12-08T22:59:00.002Z</published><updated>2011-12-08T23:07:58.212Z</updated><title type='text'>Hermann Hesse</title><content type='html'>Há muito tempo que li Hermann Hesse. Houve mesmo uma altura que ele foi o meu autor favorito. &lt;div&gt;Lembro-me de "Narciso e Goldmund", de "Ele e o Outro", de "Sidharta". E fico a pensar comigo que nem sou ele nem o outro. Talvez seja "O Lobo das Estepes". Talvez seja . . .&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E preferi ser Govinda e não Sidharta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8892486449361328345?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8892486449361328345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8892486449361328345&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8892486449361328345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8892486449361328345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/hermann-hesse.html' title='Hermann Hesse'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1332404343455873995</id><published>2011-12-08T22:42:00.002Z</published><updated>2011-12-08T22:58:01.193Z</updated><title type='text'>A luz</title><content type='html'>Entrei na Igreja devagarinho, sem querer fazer barulho, quase a medo.&lt;div&gt;A luz ogivada, abobadada, com arestas e nervuras onde tudo se esbate, é só memória.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nos vitrais as cores são as cores de si próprias, e o chumbo a colar os vidros, de vidro, fazem-me entrar numa vertigem estilhaçada de santos que foram homens, e de pessoas que só conseguiram ser santas. Mais nada. Entretanto, num cravo bem temperado, Bach ecoava por evangelhos que eu nunca tinha lido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quiz rezar mas não tinha onde. Estava tudo ocupado pela luz e por aquela música que me diluia no lajedo, nas colunas, nos portais das capelas laterais. Escondi-me atrás de mim, e só num cantinho mais escuro pude então chorar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1332404343455873995?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1332404343455873995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1332404343455873995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1332404343455873995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1332404343455873995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/luz.html' title='A luz'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4488446336579870191</id><published>2011-12-07T11:24:00.002Z</published><updated>2011-12-07T11:29:33.775Z</updated><title type='text'>Canso-me</title><content type='html'>Às vezes canso-me destes meus encontros com Deus, sempre rápidos, a correr, numa espécie de toca e foge, de quando eu brincava na escola. Quero mais!&lt;div&gt;Não sei é se é Deus que brinca comigo, se sou eu que brinco com Ele. Sinto que muitas vezes não tenho ninguém com quem brincar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E acabo por ficar amuado, a um canto, à espera que toque para a próxima aula.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4488446336579870191?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4488446336579870191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4488446336579870191&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4488446336579870191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4488446336579870191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/canso-me.html' title='Canso-me'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7549363729700608596</id><published>2011-12-07T11:11:00.002Z</published><updated>2011-12-07T11:23:02.020Z</updated><title type='text'>Quando penso</title><content type='html'>Quando penso que há pessoas que acham que me conhecem bem é que percebo que não, que não me conhecem de todo. É apenas aparência, ilusão, um despropositado convencimento.&lt;div&gt;Eu sou sempre aquilo que quero ser e não, aquilo que os outros pensam que eu sou, ou gostariam que eu fosse. Engano-as e riu-me disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E até a morte engano. Costumo, como o poeta Sebastião da Gama, ter sempre o relógio adiantado 5 minutos. Assim, quando a morte chegar, preparada para me levar com ela,  eu poderei sempre dizer-lhe: calma, ainda faltam 5 minutos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim tenho tempo para rir, de me preparar para morrer a rir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7549363729700608596?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7549363729700608596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7549363729700608596&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7549363729700608596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7549363729700608596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/quando-penso.html' title='Quando penso'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8146612219517485959</id><published>2011-12-07T11:04:00.002Z</published><updated>2011-12-07T11:10:50.230Z</updated><title type='text'>Os meus dias</title><content type='html'>Os meus dias são sínteses, constantes e obsidiantes sínteses, e cada vez mais me vou apercebendo que a suprema, a mais perfeita síntese, é a morte.&lt;div&gt;Mesmo aquela morte de que se morre de todas as vezes que se quer dar vida, depois de se fazer amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8146612219517485959?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8146612219517485959/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8146612219517485959&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8146612219517485959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8146612219517485959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/os-meus-dias.html' title='Os meus dias'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-690337682979723712</id><published>2011-12-07T10:42:00.004Z</published><updated>2011-12-07T11:03:18.860Z</updated><title type='text'>Virginia Wolf</title><content type='html'>Virgínia Woolf encheu os bolsos de pedras, ou de morte? De qualquer maneira foi a pouco e pouco entrando pelo rio até perder o pé.&lt;div&gt;As horas que levava no olhar decidido deviam passar lentas, como as pedras nos bolsos também iam lentamente pesando, como os amores perdidos, que esperou viver com aquelas mulheres que tanto amou. Que foram "ondas", nas praias por onde se passeou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui à estante e fiquei indeciso se devia voltar a ler o "Orlando", de Virgínia Woolf ou a "Loucura de Orlando" de Ludovico Ariosto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Preferi Virgínia Woolf, uma mulher que também tive uma imensa curiosidade de amar, na minha inquieta adolescência. Virgínia, a "pura e simples" que nunca consegui ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-690337682979723712?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/690337682979723712/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=690337682979723712&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/690337682979723712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/690337682979723712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/virginia-wolf.html' title='Virginia Wolf'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1310834220177504280</id><published>2011-12-05T16:46:00.003Z</published><updated>2011-12-05T17:49:31.952Z</updated><title type='text'>Realidades</title><content type='html'>Olho à minha volta e procuro encontrar realidades naquilo que imagino. E não me sinto a amar demais, doutra forma não seria amor o que estaria a sentir. E procurei Deus como se estivesse cansado de me encontrar com Ele às escndidas para podermos brincar aos casamentos morganáticos, românticos, lúgubres, como se me tivesse morrido a vida.&lt;div&gt;E estava escuro, e havia nevoeiros numa alvorada mortiça, em que me afastava de mim com pena de me ter perdido e não O ter encontrado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei se a morte tem sentido para mim, se ela é a própria falta de sentido, se é a tal "vaga fantasia" ou se é só uma intuição de quem dela se está já a aproximar sem se dar conta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As doenças continuam a inventar a morte, e a morte, oh! paradoxo, é quem no fundo as inventa. Não penso muito nisso, ao contrário do que alguém poderia pensar. Mas sinto que gostava de ter como amigo um Catilina qualquer, que me ajudasse a vituperar a vida, que no fundo é uma forma de morte. Sempre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até parece que acabei de ler Soren Kierkgaard, mas não é verdade. Já o li há muitos anos e lembro-me muito bem de quando ele disse que "contudo, um dia Lázaro também morreu". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas Deus não, posso assegurar que não, e que, pelo contrário, continua vivo e de saúde, por mais que ao longo da história o tenham tentado matar. Os "filósofos da morte de Deus" é que já devem ter morrido todos. É isso, só me resta fazer com Ele um casamento morganático, para que ninguém nos veja e possamos ser felizes um com o outro, livres de ciúmes e de invejas. Livres, como só com Ele algum dia me poderei sentir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E isto tudo, esta confusão toda de estar aqui à conversa comigo, e com mais alguém que vou inventando ao longo da conversa, a procurar encontrar realidades naquilo que imagino, só me diz e volta a dizer, que não amo demais, senão não era amor o que sinto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quanto muito tenho que aceitar que me achem egoísta em só O querer para mim. Mas também não é verdade: sou suficientemente lúcido para saber que só O tenho na medida em que O dou e O reparto contigo, meu Amor. Estas são as minhas realidades, por muito pouco reais que elas sejam. Pelo menos sonho-as. E sonho-O.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1310834220177504280?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1310834220177504280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1310834220177504280&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1310834220177504280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1310834220177504280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/realidades.html' title='Realidades'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5768239499486174362</id><published>2011-12-04T18:54:00.004Z</published><updated>2011-12-04T19:36:34.726Z</updated><title type='text'>Nasci</title><content type='html'>Nasci do vento e da espuma, quando se encontraram e se amaram numa anfidromia qualquer, no mar alto, enquanto Claude Debussy compunha o "Diálogo entre o Vento e o Mar". &lt;div&gt;À noite, as estrelas vieram iluminar o meu olhar inquieto e tive como madrinha a lua ao som do "Clair de Lune".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois comecei o meu peregrinar, pelo mundo de mim, às vezes sem luz nem esperança, outras vezes com a certeza de que era eu a nascer todos os dias, para todos os dias sentir em mim o que a vida me ia dando. Mas não me dava um padrinho!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, cheguei até hoje, esquadrinhando o passado, olhando para trás, convencido de que quanto mais caminho tinha percorrido, mais caminho tinha ainda que percorrer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois . . . sentei-me aqui a escrever estas linhas e a ouvir o "Canon", (de seu nome completo, "Canon e Giga em Ré para três violinos e um violoncelo"), escrito por Johann Pachelbel no fim do século XVII, e a pensar num filme de que me tinham falado, com esta música, de um realizador que não conhecia, José Luís Garci, o "Voltar a Começar". E senti-me também eu a voltar a começar. E nasci. E tive por padrinho, Pachelbel. E fui o único violoncelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5768239499486174362?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5768239499486174362/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5768239499486174362&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5768239499486174362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5768239499486174362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/12/nasci.html' title='Nasci'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1701327594160181363</id><published>2011-11-27T23:41:00.001Z</published><updated>2011-11-28T00:13:10.378Z</updated><title type='text'>Também</title><content type='html'>Tmbém às vezes dou comigo à espera do Encoberto. Mas ele morreu, todos me dizem. E desde esse tempo ficou dentro de mim uma ilha donde nunca mais consegui sair.&lt;br /&gt;Apetece-me gritar de raiva, acordar os outros e dizer-lhes que serem pessoas não é andarem de fato e gravata, e com os sapatos engraxados.&lt;br /&gt;E continuo à espera de D. Sebastião para que me diga que ainda há areais para atravessar antes de morrer de vez. Se calhar é uma outra maneira de eu fugir à solidão. Ou de tentar fugir da ilha.&lt;br /&gt;Então acordo e levanto-me, num sonambulismo onde o sonho fica sempre por sonhar. E fico com a sensação nítida de que quando nasci ainda não tinha nascido. À Senhor de La Palisse? Não, não é bem isso. Já tinha era morrido quando nasci, é isso. Ou não?&lt;br /&gt;E cá me vou fazendo dos dias que me deram, e escrevendo estas coisas, como se escrevesse um diário. Mas sem datas, sem dias, sem tempo. Assim fico eternamente na dúvida se o que escrevo me fez estar presente ou ausente desses meus dias. Desses dias que me deram mas de que me lembro perfeitamente não ter aceite. E desde daí, comecei a viver sem dias à espera de D. Sebastião.&lt;br /&gt;E nunca mais pus fato, nem gravata, nem engraxei os sapatos. Vesti uma cota de malha, agarrei num elmo que por ali estava caído na areia, pus os guantes e montei um cavalo todo branco e ricamente ajaezado. Com a espada fiz o sinal da cruz e nunca mais voltei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1701327594160181363?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1701327594160181363/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1701327594160181363&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1701327594160181363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1701327594160181363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/tambem.html' title='Também'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-6527198713935332452</id><published>2011-11-27T23:34:00.001Z</published><updated>2011-11-27T23:38:34.028Z</updated><title type='text'>Na tropa</title><content type='html'>Um dia, estava eu na tropa, em África, e ouvi alguém a dizer que um homem nu é como um balde de merda.&lt;br /&gt;Não percebi. Sempre houve coisas na minha vida que ouvi mas não consegui perceber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-6527198713935332452?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/6527198713935332452/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=6527198713935332452&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6527198713935332452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6527198713935332452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/na-tropa.html' title='Na tropa'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-6951741352882842997</id><published>2011-11-27T23:24:00.001Z</published><updated>2011-11-27T23:32:45.659Z</updated><title type='text'>Freud</title><content type='html'>Nem tudo o que Freud disse me fez sentido, mas numa coisa concordo: as pessoas passam a vida aflitas e angustiadas, tentando alhear-se da sua sexualidade, num quase terror que não confessam a ninguém de se descobrirem a ser exactamente o que são.&lt;br /&gt;E neste infinito momento, que é a vida, a correr por mim, devagar e a ser lamento, a caminho nem eu sei donde, fixo os meus olhos nos teus e sinto como somos tão diferentemente iguais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-6951741352882842997?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/6951741352882842997/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=6951741352882842997&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6951741352882842997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6951741352882842997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/freud.html' title='Freud'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1690615898455422683</id><published>2011-11-27T22:40:00.001Z</published><updated>2011-11-27T23:23:58.666Z</updated><title type='text'>Às vezes</title><content type='html'>Às vezes tenho que fazer festas a mim mesmo, como se me consolasse por ver passar por mim tanta gente que não me abraça. Nem me olha. Não dá por mim, sequer.&lt;br /&gt;Arranjo-me, penteio-me e ponho uma água de colónia suave, como se fosse sair a procurar alguém que desse por mim e me olhasse. Se enternecesse comigo e me desse um sorriso para eu levar para casa, como se fosse um doce e guardasse para depois o saborear com uma chícara de chá bem forte.&lt;br /&gt;Vou ao espelho e ensaio um certo sorriso &amp;nbsp;- &amp;nbsp;e lembro-me de Francoise Sagan &amp;nbsp;- &amp;nbsp;enquanto depois fecho a porta e desço as escadas. Já na rua olho distraidamente atento para tudo o que me rodeia e por onde vou passando. Sento-me depois num banco de jardim e apanho sol. Depois acabo por me enfadar e volto para casa, outra vez sozinho comigo, com o coração rasgado e a bater descompassado por não ter encontrado um personagem para a história que me vou contando sem saber que já a escrevi há imenso tempo e que já nessa altura tinha encontrado um.&lt;br /&gt;Sento-me no sofá da sala e olho com esse meu olhar distraidamente atento, para os quadros que tenho espalhados pelas paredes. Eles também são histórias. E sinto-me a parar no tempo, com eles, à medida que vou olhando para eles, um a um, e a ser desse tempo, do tempo deles, como um som que se perpetua pelos vales da minha memória já cansada de tanto me tentar lembrar de mim, quando eu era outro e nunca me sentia só.&lt;br /&gt;E sinto-me traído pelos anos, pelo tempo, com esse tempo com quem, confesso, nunca tive uma boa relação. Sei que a pouco e pouco, insidiosamente, os anos foram dando cabo de mim, entre sorrisos e &amp;nbsp;graçolas, como se alguma vez tivéssemos tido uma qualquer relação de amizade. Fui iludido, e a verdade é que mais cedo ou mais tarde todos acabamos por ser iludidos, e é de ilusão que acabamos por morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1690615898455422683?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1690615898455422683/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1690615898455422683&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1690615898455422683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1690615898455422683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/as-vezes_27.html' title='Às vezes'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5444213346369633012</id><published>2011-11-26T23:16:00.001Z</published><updated>2011-11-26T23:36:12.179Z</updated><title type='text'>Todos os dias</title><content type='html'>Todos os dias, quando me levanto e vou até à janela do meu quarto ver como está o dia, começo por me enternecer com as árvores, com as plantas, e se o dia está fosco, a tristeza invade-me, como que me sinto só e abandonado pela vida. Mas se o dia está bonito, radioso, como que nasço e renasço ao mesmo tempo, numa quase multiplicação de pães ou de sentimentos, porque o Sol dá-me vida. E as cores do quadro que costumo pintar todos os dias são fortes, alegres, capazes de fazer nascer outros quadros, outras sensações, outras alegrias.&lt;br /&gt;Todos os dias, quando me levanto e vou até à janela do meu quarto, agradeço a Deus poder ver as árvores e as plantas, e agradeço poder sentir as cores como se fossem pedaços do meu sorriso. E do teu sorriso. Porque sem o teu sorriso eu não conseguia ver nem as árvores, nem as plantas, nem esse teu sorriso que me dá mais vida do que o Sol. O teu sorriso não tem a ver com o dia que faz, tem a ver com o olhar que nos damos, tem a ver com o amor que nos temos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5444213346369633012?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5444213346369633012/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5444213346369633012&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5444213346369633012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5444213346369633012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/todos-os-dias.html' title='Todos os dias'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4474711570889336084</id><published>2011-11-26T22:04:00.001Z</published><updated>2011-11-26T22:50:38.387Z</updated><title type='text'>Falido</title><content type='html'>Sinto-me cada vez mais falido. Não só &amp;nbsp;- &amp;nbsp;mas também - porque me sinta com mais ou menos dinheiro nos bolsos. Com isso, ou sem isso, vou vivendo, mas é porque sobretudo me sinto a ter cada vez menos ideias, para dar uma volta neste mundo tão vazio e tão hipócrita. Tão pequeno!&lt;br /&gt;A minha falência é essenssialmente interior, é uma falência de espírito, é o não conseguir arranjar maneira de suportar a pequenez que me rodeia. Que me asfixia.&lt;br /&gt;É verdade, cada vez tenho menos ternura na carteira e beijos para dar, nos bolsos. Cada vez mais o Banco dos Sentimentos, &amp;nbsp;me dá menos crédito. Quanto vale hoje em dia, um sorriso, um beijo, um abraço? Tem-se vindo tudo a desvalorizar tanto, imenso! E quem guarda esse tipo de valores nos colchões lá de casa, sabe que nenhum seguro lhe cobre o fogo que os fizer arder nem ao dono que, com o incêndio dessas preciosidades, acabe por morrer de frio.&lt;br /&gt;Qualquer Banco dos Sentimentos acha que só um louco varrido quererá guardar esses valores num cofre que lá queira alugar, e portanto não muito digno de confiança. E infelizmente tem razão. Eu sou um dos que só pode guardar lá disso. Cada um tem o que tem e por isso estou falido. E ainda se eu fosse um louco varrido para debaixo de um Aubusson, ou de um Goblin, de um bom e bem antigo Arraiolos ou de um colcha de Castelo Branco que tenha estado na cama de uma abadessa aristocrata . . . Mas não, o que eu tenho guardado num cofre que trago sempre dentro de mim, já não vale nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4474711570889336084?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4474711570889336084/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4474711570889336084&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4474711570889336084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4474711570889336084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/falido.html' title='Falido'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3515677121287514799</id><published>2011-11-26T18:11:00.001Z</published><updated>2011-11-26T18:26:00.536Z</updated><title type='text'>Artigos</title><content type='html'>Acontece-me imensas vezes ler artigos e apetecer-me escrever a contradizê-los. Mas a contradizer o quê? Na maior parte das vezes não me chegam a dizer nada! São apenas palavras e que nem sempre chegam mesmo a estar arrumadas de forma a poderem ser lidas e percebidas.&lt;br /&gt;Rasgo a folha do artigo, amachuco-a e deito-a para o lixo apenas com a preocupação de que seja no caixote de reciclagem para papel.&lt;br /&gt;Afinal são como certas pessoas com quem me cruzo na vida. Só que muitas delas já nem para serem recicladas servem.&lt;br /&gt;Lixo orgânico, para talvez adubaram um dia uma planta qualquer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3515677121287514799?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3515677121287514799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3515677121287514799&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3515677121287514799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3515677121287514799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/artigos.html' title='Artigos'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7585068300956738146</id><published>2011-11-26T18:02:00.001Z</published><updated>2011-11-26T18:10:48.418Z</updated><title type='text'>O abismo</title><content type='html'>Deixo-me espalhar por mim, como se fosse água a entornar-se, num mar imenso e sem fim.&lt;br /&gt;E é assim que me vou alongando, afastando, desta última margem de mim, à medida que me vou desencantando e diluindo na distância, que há sempre de mim para mim, e me faz andar sempre à beira do abismo, atraído pelo abismo, e me faz pensar que eu sou apenas o mar do outro lado de mim, esse mesmo &amp;nbsp;abismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7585068300956738146?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7585068300956738146/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7585068300956738146&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7585068300956738146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7585068300956738146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/o-abismo.html' title='O abismo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7546087873629868205</id><published>2011-11-26T17:55:00.001Z</published><updated>2011-11-26T18:00:41.219Z</updated><title type='text'>Separo-me das Pessoas</title><content type='html'>Quantas vezes ao longo da minha vida me tenho separado das pessoas. Perco-as, deixo-as fugir de mim. Ou então sou eu que fujo delas. Nunca percebi.&lt;br /&gt;Não quero dizer que me esqueça delas, mas como que ensurdeço, e ao deixar de ouvir, de as ouvir, deixo de as sentir. E fico assim, como que perdido, a vaguear sem sentido, sem norte, numa espécie de recordação que depois fico sem saber o que é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7546087873629868205?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7546087873629868205/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7546087873629868205&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7546087873629868205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7546087873629868205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/separo-me-das-pessoas.html' title='Separo-me das Pessoas'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8372939885625233108</id><published>2011-11-26T17:39:00.001Z</published><updated>2011-11-26T17:47:51.383Z</updated><title type='text'>Às vezes</title><content type='html'>Às vezes tenho pena de já me sentir velho, e a sentir em mim a patine das coisas antigas, com história. E sou uma qualquer coisa por quem o tempo vai passando, e em que que o vento vai esculpindo, um outro de mim, cheio das história que já vivi, e que ao serem minhas, sou eu nelas o tal personagem que anda sempre à procura de uma história para contar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8372939885625233108?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8372939885625233108/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8372939885625233108&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8372939885625233108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8372939885625233108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/as-vezes.html' title='Às vezes'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1685248704475820239</id><published>2011-11-26T17:28:00.001Z</published><updated>2011-11-26T17:37:11.188Z</updated><title type='text'>Sei que sou</title><content type='html'>Sei que sou muitas vezes difícil de entender, até de me entender, neste grande mistério que trago comigo, de que me faço e vivo, e que não se cansa de me perguntar quem sou.&lt;br /&gt;E alimento dessa maneira a busca que não me canso de fazer de mim. E se me canso, às vezes acontece, realizo que nunca posso chegar a conclusão nenhuma porque sou o mistério do meu próprio mistério de ser, e de ser em mim.&lt;br /&gt;E é quando acabo por saber quem sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1685248704475820239?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1685248704475820239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1685248704475820239&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1685248704475820239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1685248704475820239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/sei-que-sou.html' title='Sei que sou'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2033356436616975892</id><published>2011-11-26T17:22:00.001Z</published><updated>2011-11-26T17:26:54.841Z</updated><title type='text'>Como</title><content type='html'>Como já disse numa outra ocasião, nem sempre estou de acordo comigo. Chego mesmo a cortar relações comigo.&lt;br /&gt;Depois troco os nomes às coisas, até mudo de tom de voz, e vou à procura das coisas, doutras coisas, mascarado de outro, como forma de continuar a ser eu. Ou de ser outras coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2033356436616975892?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2033356436616975892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2033356436616975892&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2033356436616975892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2033356436616975892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/como.html' title='Como'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-661117511221636063</id><published>2011-11-26T17:15:00.001Z</published><updated>2011-11-26T17:19:46.499Z</updated><title type='text'>No espaço</title><content type='html'>No espaço fechado em que me sou, com esta pele, estes músculos, estes ossos e estes nervos, sinto-me um pouco como um pintor, para quem o que vai pintando se vai prolongando para além da tela.&lt;br /&gt;E dou comigo a passear-me no vaazio de me ser, assim, eterno pintor sem saber nada do que é que está a pintar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-661117511221636063?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/661117511221636063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=661117511221636063&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/661117511221636063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/661117511221636063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/no-espaco.html' title='No espaço'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2220772148908346494</id><published>2011-11-26T17:04:00.001Z</published><updated>2011-11-26T17:13:18.065Z</updated><title type='text'>Lembrar</title><content type='html'>Não me querer lembrar de certas coisas, é a forma que encontro de as matar dentro de mim.&lt;br /&gt;Mas ao matá-las, como fazem parte de mim, acabo por ser eu a morrer. E assim dou comigo a pensar que todos os dias me mato um pouco para conseguir continuar a viver, mas a viver a morte das coisas que eu não quero viver. E sou sempre eu nesta procura de saber onde é que afinal as coisas dentro de mim principiam e acabam vivem e morrem.&lt;br /&gt;E não me quero lembrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2220772148908346494?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2220772148908346494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2220772148908346494&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2220772148908346494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2220772148908346494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/lembrar.html' title='Lembrar'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8072444049243068009</id><published>2011-11-21T23:09:00.001Z</published><updated>2011-11-21T23:15:33.642Z</updated><title type='text'>Continuo</title><content type='html'>Continuo sempre a escrever um livro, em que sou a história, o enrredo, as próprias folhas onde escrevo, e a tinta, que nunca sei me escorre dos olhos, se da vida.&lt;br /&gt;Sei que nunca vou querer acabá-lo, porque, é um segredo, nunca cheguei a começá-lo.&lt;br /&gt;A ideia, no fundo, é escrevê-lo depois de mim, quando eu já não fôr, e de mim só reste mesmo, uma história que não escrevi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8072444049243068009?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8072444049243068009/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8072444049243068009&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8072444049243068009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8072444049243068009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/continuo.html' title='Continuo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-6622813293334633564</id><published>2011-11-21T22:59:00.001Z</published><updated>2011-11-21T23:08:28.119Z</updated><title type='text'>Pequeno poema</title><content type='html'>Rasguei os versos de vento&lt;br /&gt;Quando te olhei a tristeza&lt;br /&gt;E me senti ir por dentro&lt;br /&gt;Da minha própria estranheza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti depois, em ti, o momento&lt;br /&gt;De quem só vê pesadelos&lt;br /&gt;Estranhos de ti e de mim&lt;br /&gt;Nos versos feitos de vento&lt;br /&gt;Que me levaram pelos montes&lt;br /&gt;Feitos deste meu lamento&lt;br /&gt;De me aproximar do fim&lt;br /&gt;E encontrar-te.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-6622813293334633564?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/6622813293334633564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=6622813293334633564&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6622813293334633564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6622813293334633564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/pequeno-poema.html' title='Pequeno poema'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-6494697815464300637</id><published>2011-11-21T22:38:00.001Z</published><updated>2011-11-21T22:58:18.829Z</updated><title type='text'>E chorei</title><content type='html'>E chorei a minha própria morte. De ti. Na invenção que de ti fiz, ao querer inventar a forma de não te perder. Nunca. De não te esquecer. Nunca.&lt;br /&gt;E não quiz que ninguém tivesse pena de mim. Todos morremos todos os dias, até que um dia morremos de vez. Embora, mesmo assim, pense que hei-de ter o prazer de morrer por partes:&lt;br /&gt;1º quando me despedir do mundo, e deixar de lhe falar e&lt;br /&gt;2º quando a recordação de mim morrer nos outros.&lt;br /&gt;Então morro, não de velhice, mas de esquecimento. De esquecimento de mim, deixando-me arder como se fosse uma vela, que até ao fim, vai dando luz e vai morrendo.&lt;br /&gt;Depois pus-me à escuta, para ver se percebia o que me esperava do outro lado de mim, daquilo que eu tinha medo que me acontecesse. Ou pençasse que me podia acontecer. E começou para mim a ser claro que nem a morte dura para sempre. Nisso não é nada diferente da vida.&lt;br /&gt;E é entre as alegrias da vida e as tristezas da morte, que então vamos durando, mesmo quando já de novo transformados na terra de onde viemos. E chorei sem saber porquê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-6494697815464300637?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/6494697815464300637/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=6494697815464300637&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6494697815464300637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6494697815464300637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/e-chorei.html' title='E chorei'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3906356198946123134</id><published>2011-11-21T22:33:00.001Z</published><updated>2011-11-21T22:36:23.758Z</updated><title type='text'>Otomanos</title><content type='html'>Diziam os otomanos que não se podiam esconder três coisas:&lt;br /&gt;O amor, a tosse e a pobreza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3906356198946123134?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3906356198946123134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3906356198946123134&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3906356198946123134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3906356198946123134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/otomanos.html' title='Otomanos'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4845110041080946078</id><published>2011-11-21T21:58:00.001Z</published><updated>2011-11-21T22:31:51.495Z</updated><title type='text'>E as pessoas</title><content type='html'>E as pessoas batiam às portas do meu sentir, como que a espantar espíritos, como quem rufa tambores e escuta o som a repercutir-se pelos vales da mágua, pelos lôdos dos pântanos, pelos olhares em desespero. E todo eu fui tempo, num relógio de sol já sem a haste a projectar a luz, ou uma clepsidra sem areia, que só&amp;nbsp;à noite eu via reflectida pela luz da lua a entrar pela janela das minhas ansiedades.&lt;br /&gt;E senti vontade de não viver mais, já que desde que tinha nascido, me tinha sentido a começar a morrer.&lt;br /&gt;A verdade é que me ia a pouco e pouco cansando de viver a atravessar o tempo. E se vivi muitos dias, também morri todos os dias, numa alternância de noites e de dias, em que se nasce e se morre sempre a caminho do fim. De um fim.&lt;br /&gt;E não me deixei ficar em mais sítio nenhum, disperso como ia ficando pelos sítios por onde passava, me arrastava, deixando cair, aqui e ali, bocados de mim. Foi quando dei comigo, a vêr que as cores dos olhos mudavam conforme os olhava, e acabava por não conseguir vêr mais cores nenhumas, porque os olhos desapareciam como luzes que se afastavam e iam ficando cegos.&lt;br /&gt;E até o vento parecia vir ter comigo já cansado de se enrodilhar nas cores e nos sons dos tambores a rufarem num longe sem tempo nem distância.&lt;br /&gt;Então levei a noite comigo, embrulhada num cobertor de mim, como se levasse comigo um filho recem nascido, ou a dor de o ter perdido. Esquecido. Por uma memória sem lembranças, sem referências, como um relógio de sol já sem a haste. Perdido num jardim barroco abandonado pela alma do tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4845110041080946078?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4845110041080946078/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4845110041080946078&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4845110041080946078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4845110041080946078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/e-as-pessoas.html' title='E as pessoas'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-30046376462105232</id><published>2011-11-07T10:39:00.002Z</published><updated>2011-11-07T11:13:07.359Z</updated><title type='text'>Terra</title><content type='html'>É na terra, ao remexer na terra, que encontro tudo e me encontro em tudo. É na terra, que tudo alimenta, que nela nasce e renasce, tudo. Do que ela deu  para alimentar a Mãe que me pariu, ao nascer para ela, porque voltarei para ela, para a alimentar de mim, e voltar a ser outro, um dia, nela.&lt;div&gt;É na terra que vivem os espíritos, nos lagos e nos rios, nas árvores e na relva das pradarias, e no vento que pode encapelar as águas dos mares e abanar as florestas. É no cantar dos pássaros que eles habitam, nas lamas das margens dos rios, nas areias das praias e dos desertos, no relinchar dos cavalos a pastar nas montanhas, nos gritos das mulheres em parto. Porque tudo é terra. E ela está sempre em trbalho de parto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os espíritos vivem sem precisar de viver. São, apenas. E quando lhes sorriu, sei que nos entendemos e que juntos sonhamos coisas, que só um ao outro somos capazes de dizer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E é por eles, pelas histórias que me contam, que eu sei que a vida não acaba na morte, porque só acaba quando os outros nos esquecem. Aqui na terra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E então protejo-me da morte nos silêncios que faço, para poder estar com eles, e fujo dos tambores que a rufarem os acordam e afastam, porque se assustam, habituados como estão ao silêncio e os fazem ir para outras terras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E deixo-me ir com o vento, que me dá forças, me alimenta e faz viver, ao fazer-me respirar, andar, dizer coisas que me confortam, neste meu egoísmo, e me fazem olhar para tudo o que é belo, e fazer amor com tudo o que amo, e sentir-me confiante ao saber que todos eles esperam por mim, com paciência e amor. E com todo o tempo do mundo. Com todo o tempo da terra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E pus-me a ouvir o 2º andamento da sonatina para piano de Schubert, e depois, já mais calmo pus-me a ouvir o 2º concerto de Serguei Rakmaninov, que ele dedicou ao seu psiquiatra pela ajuda que lhe deu para sair da depressão profunda em que ficou após a estreia desastrosa da sua 1ª sinfonia. E senti-me mais com os pés na terra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-30046376462105232?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/30046376462105232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=30046376462105232&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/30046376462105232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/30046376462105232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/terra.html' title='Terra'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7938155516281492148</id><published>2011-11-07T10:36:00.001Z</published><updated>2011-11-07T10:39:39.789Z</updated><title type='text'>Lord Byron</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Como são sempre frágeis os luxos deste mundo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que o tempo em seu caudal arrasta para o fundo".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lord Byron&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7938155516281492148?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7938155516281492148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7938155516281492148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7938155516281492148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7938155516281492148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/lord-byron.html' title='Lord Byron'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8736309131346536325</id><published>2011-11-05T19:39:00.002Z</published><updated>2011-11-05T19:45:23.055Z</updated><title type='text'>E...</title><content type='html'>E acabo sempre por ir ter comigo, onde quer que eu esteja. Descubro-me sempre. &lt;div&gt;O que às vezes acontece, é que me choco com esse tudo que encontro, e depois perco-me, outra vez à procura de mim, sempre na esperança de me encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E encontro, só porque de mim até mim, é apenas um passo, um gesto, um beijo que tenho sempre para te dar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8736309131346536325?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8736309131346536325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8736309131346536325&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8736309131346536325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8736309131346536325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/e.html' title='E...'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2967595915431071504</id><published>2011-11-05T19:33:00.002Z</published><updated>2011-11-05T19:38:43.277Z</updated><title type='text'>Ler</title><content type='html'>Tenho a mania que sei ler, só porque leio livros, e junto letras e palavras. &lt;div&gt;Mas não consigo juntar sentimentos, olhares, sorrisos, gestos de amor ou beijos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E isso faz-me sentir a necessidade urgente, de por fim ir aprender a ler, a sério.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2967595915431071504?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2967595915431071504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2967595915431071504&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2967595915431071504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2967595915431071504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/ler.html' title='Ler'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2857683563461271437</id><published>2011-11-05T19:21:00.002Z</published><updated>2011-11-05T19:32:23.051Z</updated><title type='text'>Uma espécie de poesia</title><content type='html'>Rasguei os versos de vento, &lt;div&gt;Que teci com o teu olhar,&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando te olhei a tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E senti-me todo dentro,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deste meu pobre pensar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na minha própria estranheza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senti em ti, depois, o lamento,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De quem só vê pesadelos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nos sonhos que tem por sonhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estranho de ti e de mim&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aproximei-me do fim&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E encontrei-te, sedento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi quando te pude beijar.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2857683563461271437?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2857683563461271437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2857683563461271437&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2857683563461271437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2857683563461271437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/uma-especie-de-poesia.html' title='Uma espécie de poesia'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4011131899706064270</id><published>2011-11-05T18:56:00.002Z</published><updated>2011-11-05T19:20:56.541Z</updated><title type='text'>Comecei a subir</title><content type='html'>Comecei a subir a montanha à procura de mais luz. De um outro silêncio. De uma outra paz. De tudo o que me ajudasse a carregar a minha cruz. E caminhei horas e dias, e caminhei tempos de um tempo que já nem sequer era um tempo deste tempo, e por isso já nem sequer era o meu. Ia a fugir do mundo, confesso, e de tudo o que me atormentava e não me deixava viver. Ia a fugir de mim. E o céu estava cada vez mais perto, e o azul, e a luz. E o deserto. E eu, sempre a fugir de mim.&lt;div&gt;Já Goethe, ao morrer, tinha pedido mais luz (mehr licht). E também foi Goethe que disse um dia que nenhum homem pode fugir de si mesmo. E eu a acreditar que sim mas a fingir que não. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Continuei a subir a montanha, com aquela ideia obsidiante de um provérbio zen que diz "quando chegares ao cimo de uma montanha, continua a subir". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi animado desta ideia que continuei a subir, que deixei tudo e continuei a subir, sem pensar em nada, sem me preocupar com nada, nem com o fim da montanha, que afinal era eu, mas só e apenas, preocupado com o fim do meu próprio fim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4011131899706064270?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4011131899706064270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4011131899706064270&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4011131899706064270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4011131899706064270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/comecei-subir.html' title='Comecei a subir'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3727800721831706979</id><published>2011-11-05T17:13:00.005Z</published><updated>2011-11-05T17:38:55.055Z</updated><title type='text'>Covas</title><content type='html'>Por mais covas que abra no cemitério do meu sentir, nunca nenhuma delas será tão grande que nela caibam os meus sonhos mortos, nem tão pouco a lucidez com que os sonhei e que agora me fazem ver-me a partir de mim, para longe de todos aqueles que ainda amo. Porque já só de longe os amo. Só de longe os sinto. Porque cada vez mais me sinto longe de todos e de mim.&lt;div&gt;Depois pensei em fugir, mas começou a acontecer-me como naquela escultura de Gian Lorenzo Bernini, "Apollo e Daphne", e também eu me fui transformando em árvore, e fui criando raízes, e folhas, e troncos, e todo o meu corpo acabou por ser uma imensa floresta de enganos, para poder sentir o tempo a passar por mim, feito aragem a cheirar a maresia, a cheirar a tempo e a terra, a cheirar aos cheiros de todos aqueles que por mim passaram e amei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E senti vergonha e uma imensa tristeza, e as minhas lágrimas foram toda a mágua de que o meu corpo é feito, e correram sem sentido nem destino pelo meu olhar em espanto. E continuei a abrir covas já sem saber para quê, como que apenas para vasculhar o mundo e nele conseguir encontrar um sítio seguro e belo onde por fim possa guardar a minha dor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3727800721831706979?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3727800721831706979/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3727800721831706979&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3727800721831706979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3727800721831706979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/covas.html' title='Covas'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8043349455800660203</id><published>2011-11-05T16:43:00.003Z</published><updated>2011-11-05T17:13:25.137Z</updated><title type='text'>Nasci</title><content type='html'>Nasci já morto, de fome e de solidão. Só o vento me trouxe uma espécie de silêncio, como se fosse um beijo, que senti, ouvi, bebi em pequenos sorvos, lentamente, quase esquecido de tudoe até de mim.&lt;div&gt;Só mais tarde, a chuva que caía naquela tarde, me disse para não ter esperança nenhuma, nem fé nenhuma, para não ter nada, de nada, e me poder assim esconder de mim dentro dos meus pensamentos. Ou dos teus, continuo a nunca conseguir lembrar-me.                  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E continuou a chover, e a molhar a pouco e pouco, as raízes dos meus pensamentos, e depois fui folha, e fui flor, e acabei por ser um fruto amargo que nem eu consegui comer. Era um fruto a que dei o nome Vida, mas sem saber, passei depois a chamar-lhe Além.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando os meus ossos procuraram outro corpo e os meus pensamentos procuraram outra maneira de pensar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8043349455800660203?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8043349455800660203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8043349455800660203&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8043349455800660203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8043349455800660203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/nasci.html' title='Nasci'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-420834718907798434</id><published>2011-11-01T22:43:00.002Z</published><updated>2011-11-01T23:08:45.616Z</updated><title type='text'>Ao longo da vida</title><content type='html'>Ao longo da vida já me fui perdendo de algumas pessoas. Ou elas se perderam de mim. De umas ainda me lembro, mas doutras já me esqueci. Às vezes venho a saber que já morreram, e nessas alturas fico com pena de nunca as ter podido conhecer melhor. Ou de nunca as ter conhecido. Enfim, mas é a vida, ou é a história, no seu constante escrever-se e reescrever-se em pequenas outras histórias que afinal cada um de nós acaba sempre por ser. Ou já ser e ainda não.&lt;div&gt;E vou-me inventando quotidianamente, na esperança, às vezes desesperada, de me poder reinventar ad infinitum, e não morrer. De inventar a própria morte, para então poder viver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a questão pôe-se-me então, em procurar saber com toda a certeza e exactidão, o ponto de encontro entre a morte e a vida, entre o ser e o não ser a minha própria maneira de encontrar outro caminho, de me encontrar noutro caminho, e inventar ou reinventar outra vida. Outro eu. E vou-me preenchendo de mim, enquanto me disfarço, me mascaro, me disperço e me desfaço, dentro de mim e dos outros. Sim, ao longo da vida vou sendo outros. Os que trago sempre comigo, guardados nos meus bolsos remendados, de tanto os tentar agarrar, para não fugirem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-420834718907798434?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/420834718907798434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=420834718907798434&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/420834718907798434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/420834718907798434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/ao-longo-da-vida.html' title='Ao longo da vida'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3781945831521677169</id><published>2011-11-01T22:33:00.003Z</published><updated>2011-11-01T22:42:05.812Z</updated><title type='text'>Benedetto Croce.</title><content type='html'>Benedetto Croce foi quem me fez começar a sentir o belo. Acho que sei que já o pensava, mas não o percebia. E comecei a imaginar como me poderia transcender e ser arte. Mas fiquei  apenas dentro deste meu olhar vazio, à espera que alguém me quisesse pôr num museu, para depois as pessoas poderem lá ir ver-me, e interpretar-me.&lt;div&gt;Mas só consegui mesmo ser arte, quando me consegui ser eu, e não me importar nada com isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3781945831521677169?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3781945831521677169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3781945831521677169&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3781945831521677169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3781945831521677169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/benedetto-croce.html' title='Benedetto Croce.'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3121879621851538321</id><published>2011-11-01T22:15:00.002Z</published><updated>2011-11-01T22:29:52.335Z</updated><title type='text'>Invento</title><content type='html'>Invento a minha liberdade só porque preciso dela para me inventar. Sem me sentir livre não posso prometer nem trair. Fico como o burro de Buridan. E é nessa ltura que como o poeta dizia "crio desumanidades", &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca descubro as coisas. Encontro-as. E por isso leio e releio as mesmas letras, as mesmas palavras, os mesmos pensamentos, mas sempre em livros diferentes. Sempre com interpretações diferentes. Sempre como se eu próprio fosse sempre diferente, ao lê-las.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E quando me volto a encontrar, então sim, sinto que descobri alguma coisa escondida por trás de uma palavra, de uma frase, de um pensamento, em que me perco outra vez, num anonimato de uma SA qualquer, mas que sou sempre eu e um mais alguém que trago sempre comigo, até bem dentro de mim, mas que nunca chego a conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3121879621851538321?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3121879621851538321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3121879621851538321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3121879621851538321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3121879621851538321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/invento.html' title='Invento'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4308739130479175463</id><published>2011-11-01T21:55:00.003Z</published><updated>2011-11-01T22:13:53.830Z</updated><title type='text'>Meto-me pelas cidades</title><content type='html'>Às vezes ponho-me a andar pelas cidades, pelas vilas e até pelas aldeias do meu pensar. Mas nunca soube bem à procura de quê, nem porquê. Meto-me por praças e betesgas, por becos sem saída e por azinhagas dos arredores onde antigamente se era assaltado, e vou apanhando coisas do chão, abandonadas, perdidas e sem qualquer préstimo, numa vagabundagem de mim, e vou encontrando nelas fragmentos de coisas que já foram minhas, pedaços de pensamentos de que já me tinha esquecido, e vou formando com tudo isso palavras, e olhares, como se pintasse as peças de um puzzle com que ainda me lembro de ter brincado em criança. E consigo pintar tudo, pintar até os sonhos que nunca cheguei a sonhar. E dou comigo a pintar o teu olhar.&lt;div&gt;E depois sinto que construo um sonho de que já não me consigo lembrar. E depois sonho tudo isso ao acordar. E depois continuo a andar pelos becos e pelas azinhagas da minha vida por encontrar. E depois, e depois, acabo sempre por me perder nesse beijo que nunca te consegui dar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4308739130479175463?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4308739130479175463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4308739130479175463&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4308739130479175463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4308739130479175463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/meto-me-pelas-cidades.html' title='Meto-me pelas cidades'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7456325372003358730</id><published>2011-11-01T21:33:00.002Z</published><updated>2011-11-01T21:52:24.049Z</updated><title type='text'>Vou vivendo os dias</title><content type='html'>Vou vivendo os dias sempre agarrado ao livro da minha  contabilidade, onde vou anotando tudo o que por mim passa, ora na coluna do deve ora na do haver, sempre na esperança de que depois as somas  não batam certo uma com a outra, para eu poder andar a rever esses dias de trás para a frente, como se depois todas as parcelas afinal fossem apenas uma. Ou um, porque sonho é masculino.&lt;div&gt;Benedictus Aritmeticos, ensinou-me a somar, a dividir, a subtrair e a multiplicar. Mas com muita pena minha nunca me chegou a ensinar nem a sentir, nem a sonhar. Morreu antes que eu tivesse nascido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7456325372003358730?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7456325372003358730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7456325372003358730&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7456325372003358730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7456325372003358730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/11/vou-vivendo-os-dias.html' title='Vou vivendo os dias'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2037081498215272501</id><published>2011-10-24T20:45:00.005Z</published><updated>2011-10-24T21:54:01.292Z</updated><title type='text'>Jorge Luís Borges</title><content type='html'>Dizem que todos os caminhos vão dar a Roma. Não sei bem, e se calhar não é bem assim. Os meus caminhos, por exemplo, nem sempre. Alguns vão com certeza e levam-me a ver as esculturas de Bernini, sobretudo o David, em esforço, trincando a boca, num movimento tencional que reflete o Barroco de uma maneira extraordinária, ou os quadros de Caravaggio. &lt;div&gt;Os meus caminhos vão-se bifurcando ad infinitum, e é quando me lembro de Jorge Luís Borges e do seu "O Jardim dos Caminhos Que Se Bifurcam". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E disperço-me, nesta interrogação de se Borges era um filósofo poeta ao invés de Fernando Pessoa que era um poeta filósofo. Tanto um como outro tentaram sair de si e ser outros. Como eu, tantas vezes sou assim tantas vezes. Uno e plural, nos amores por que me perco, pelos caminhos que sei não me levarem a lado nenhum. Também eu peço "oh! não me dêm definições".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estive, e conversei com Borges duas vezes e não sei se foi numa dessas vezes que ele, com aquele olhar parado mas inquieto de cego tardio, disse mais ou menos isto: "Na realidade não tenho a certeza de que existo. Sou todos os autores que li, toda a gente que conheci, todas as mulheres que amei, todas as cidades que visitei, todos os meus antepassados." Como Fernando Pessoa quando dizia "ser tudo de todas as maneiras" e "plural como o Universo", também eu me sinto isso tudo, sou isso tudo, na desenfreada busca de mim, num esforço que nem David foi capaz de fazer, sem saber também se não sou apenas uma invenção de mim mesmo, num amor que se perde e esvai, embrulhado numa nuvem de segredos, porque não quero que ninguém saiba quem sou. Nem eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2037081498215272501?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2037081498215272501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2037081498215272501&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2037081498215272501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2037081498215272501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/jorge-luis-borges.html' title='Jorge Luís Borges'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3499948443512043367</id><published>2011-10-08T18:31:00.004Z</published><updated>2011-10-08T19:17:47.100Z</updated><title type='text'>Crise</title><content type='html'>Não sei se são as crises que fazem os homens ou se são os homens que fazem as crises. A verdade é que continuo a saber muito pouco sobre os homens e sobre as crises. Mas penso também que se não houvessem crises não haveria história, porque a crise acaba por ser o motor da história, no seu constante fazer-se e refazer-se numa escrita ad infinitum que possivente, para cada um de nós só acabará com a morte. Ou com a morte da morte, pois ela também haverá de morrer um dia. Porque nem a morte é eterna. Só a vida.&lt;div&gt;Mas não é bem a morte de que se está habituado a ouvir falar. É um eu agora que só tem justificação se houver um eu depois, e que toma a forma de um mundo dentro do mundo, e em que esse é o meu mundo a quere ser mundo, liberto da morte, do imundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quantas vezes já morri sem ter percebido que morria. Quantas vezes a morte me negou a possibilidade de ter percebido isso. Quantas vezes me deixei morrer só por saber que não morria. Quantas vezes passei por ela e fingi que não a conhecia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ouvi Chopin até à exaustão, e nessa repetição quase mântrica fui-me ouvindo. Os meus ouvidos de tísico foram-me dando sempre um Chopin igual enquanto ia sendo diferente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É por isso que ando sempre à procura de alguém, na esperança de nele me encontrar, de me sentar depois ao piano e tocar, para uma George Sand, baronesa de Dudevant, que gostou de Chopin mas também de muitos outros. E parei, as mãos quietas nas teclas de marfim. Também eu a tinha amado até à tuberculose, também ia tocando nocturnos dentro de mim, enquanto a morte me rondava e eu me ia rindo dela, acabando por arranjar uma grande confusão entre mim e ela, de que no fundo o resultado sou eu, numa crise que me faz partir, e escrever para me provar que a crise me ajuda a ser cada vez mais eu. Sou crísico, logo existo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3499948443512043367?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3499948443512043367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3499948443512043367&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3499948443512043367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3499948443512043367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/crise.html' title='Crise'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5501680182003779715</id><published>2011-10-07T09:09:00.005Z</published><updated>2011-10-07T09:54:44.904Z</updated><title type='text'>Amizade</title><content type='html'>Viver a Amizade, talvez a mais pura e forte forma de Amar, é do que de mais difícil pode existir na vida, e entre duas pessoas,  por ser feita de permanentes renasceres, sem dependências nem desejos, apenas numa contínua busca da perfeição e do equilíbrio, como afinal só nos contrários se encontra. Na harmonia dos contrários. Ou na harmonia dos desejos. No fundo o nada desejar também não é exactamente o meu Nirvana. &lt;div&gt;Na Amizade a aproximação é sempre assintótica, porque, como na geometria, para uma curva plana, é uma linha em que a distância entre um ponto P sobre a curva, e a linha, se aproximam do zero, quando a distância do ponto P à sua origem aumenta indefinidamente, isto é, por mais que se aproxime da recta, nunca a chega a tocar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque tocar seria atingir o absoluto, e a nós humanos, e como já dizia Píndaro nas suas "Odes Pindáricas", só nos resta rasgar as fronteiras do possível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Duas rectas só se encontram no infinito, dizia Euclides. Mas e o que nos trarão de novo as novas geometrias? As não-euclidianas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E penso nos fractais, por exemplo, ao possuirem uma dimensão fraccionária e apresentarem uma auto-simitude nas suas figuras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Monet aboliu o espaço. Manet aboliu o tempo, ou fê-lo de momentos na sua pintura. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não pinto, mas também faço de momentos as Amizades que vou podendo viver. E vivo-as também sem espaços e sem tempos. Vivo-as. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E acabo por pensar que para mim, as geometrias variáveis são as que melhor se adaptam às minhas singularidades. Ou então ser plural, como disse o Poeta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5501680182003779715?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5501680182003779715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5501680182003779715&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5501680182003779715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5501680182003779715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/amizade.html' title='Amizade'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4505341592529920469</id><published>2011-10-06T21:54:00.002Z</published><updated>2011-10-06T22:02:49.747Z</updated><title type='text'>Tantas vezes</title><content type='html'>Tantas vezes dou comigo a gostar em mim só daquilo que mais odeio.&lt;div&gt;Olho para uma caricatura que o Bordalo Pinheiro fez de um antepassado meu, e sinto-me também eu caricaturado. Mas por mim, não por ele. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como Caravaggio se retratou tantas vezes. Ou Rembrandt.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só que eu apenos consigo pincelar o avesso do meu direito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E as cores são sempre as mesmas. Duas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O branco e o preto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4505341592529920469?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4505341592529920469/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4505341592529920469&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4505341592529920469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4505341592529920469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/tantas-vezes.html' title='Tantas vezes'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1558540074190857154</id><published>2011-10-06T21:42:00.002Z</published><updated>2011-10-06T21:53:36.956Z</updated><title type='text'>Nada é tudo</title><content type='html'>Nada é tudo.&lt;div&gt;Nunca consigo ser muitas coisas ao mesmo tempo, mas arranjo, nem sempre da melhor maneira, forma de ir somando tudo aquilo que em mim sinto que há de incompleto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E depois faço disso uma ilusão, porque me dá jeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, em nada encontro tudo, nem no tudo consigo encontrar o nada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se me busco, é porque sou um curioso, que acredita que hei-de estar em qualquer lado. Mas não sei onde. Ou sei! Devo estar nesse nada que é o tudo. Depois, é nesse tudo que me sou nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1558540074190857154?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1558540074190857154/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1558540074190857154&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1558540074190857154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1558540074190857154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/nada-e-tudo.html' title='Nada é tudo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2164392957384208950</id><published>2011-10-06T21:36:00.002Z</published><updated>2011-10-06T21:42:09.470Z</updated><title type='text'>Na vida</title><content type='html'>Na vida, o que me interessa mais não é viver, nem é estar sempre à espera de encontrar formas novas para continuar vivo.&lt;div&gt;Na vida, o que me interessa de facto, é o interesse que tenho pelo mistério que é viver. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais nada&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2164392957384208950?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2164392957384208950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2164392957384208950&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2164392957384208950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2164392957384208950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/na-vida.html' title='Na vida'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7164789651013408405</id><published>2011-10-02T17:57:00.003Z</published><updated>2011-10-02T18:06:27.352Z</updated><title type='text'>Senti-me só</title><content type='html'>Senti-me só. Senti-me sem antes nem depois. Cheguei a sentir-me naquele momento patético em que às vezes rezo a um deus desconhecido, só na esperança de que ele me olhe e me reconheça.&lt;div&gt;Depois pensei em ser depois. E depois senti que vivia, desde há muito, desde há muito tempo antes. E senti-me só com Deus, desde há muito tempo antes e até depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7164789651013408405?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7164789651013408405/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7164789651013408405&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7164789651013408405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7164789651013408405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/senti-me-so.html' title='Senti-me só'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7615208241304894953</id><published>2011-10-02T17:46:00.003Z</published><updated>2011-10-02T17:56:17.584Z</updated><title type='text'>Vasculhei</title><content type='html'>Vasculhei o mundo inteiro. Andei por sítios incríveis. Propus que me matassem, esquartejassem, e me atirassem aos quatro ventos. Deixei-me perder em sonhos aterradores. Tentei tudo o que me pareceu impossível. Acabei por tentar a própria tentação. Mas nunca consegui encontrar um sítio onde pudesse guardar as minhas dores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7615208241304894953?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7615208241304894953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7615208241304894953&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7615208241304894953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7615208241304894953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/vasculhei.html' title='Vasculhei'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-450438780262758350</id><published>2011-10-02T17:10:00.002Z</published><updated>2011-10-02T17:45:16.630Z</updated><title type='text'>Escrevo</title><content type='html'>Escrevo para esconder pensamentos. Escrevo para me poder esconder nas palavras que não digo. Escrevo para assim esconder as almas de que me faço. Escrevo como quem sonha sonhos que já há muito tinha sonhado. Escrevo para me sentir perto de ti, perdido nesse teu universo em que me sou enquanto ando à tua procura. Escrevo para me poder calcorrear pelas estrelas do teu sentir, e sentir que elas é que me ensinam o caminho para até ti poder chegar. Escrevo para esconjurar os meus medos, guardados a sete chaves dentro dos meus fantasmas. Escrevo para dar uma cara à vida e para dar uma alma ao sonho. Escrevo para me esconder do que digo, do que te digo, meu amor, sem palavras.&lt;div&gt;Escrevo para poder sentir melhor as garras da história a cravarem-se com toda a força, bem fundo, no meu peito já dorido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Escrevo porque sei que o mar é uma imensa lágrima que também chora de tristeza quando me olha e vê a escrever e adivinha como tenho a alma partida, repartida, perdida um pouco em tudo aquilo que escrevo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-450438780262758350?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/450438780262758350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=450438780262758350&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/450438780262758350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/450438780262758350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/escrevo.html' title='Escrevo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-145210074858197510</id><published>2011-10-02T16:51:00.003Z</published><updated>2011-10-02T17:09:44.764Z</updated><title type='text'>Guardei</title><content type='html'>Guardei nos bolsos esse teu olhar, e depois guardei dentro dos teus olhos esse teu sorriso.&lt;div&gt;Depois deitei-me debaixo de uma árvore que há muito tinha secado, e sonhei que estava vivo, e que os meus olhos choravam com medo de te perder. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, chorei ainda mais, porque comecei a sentir que o vento me continuava a trazer os teus beijos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois guardei esse sonho que sonhei, como se guardasse um carta de um amigo que há muito julgava perdido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Guardei depois dentro de ti tudo o que de mim me restava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dei-te tudo e fiquei sem nada. Foi só isso que guardei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-145210074858197510?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/145210074858197510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=145210074858197510&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/145210074858197510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/145210074858197510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/guardei.html' title='Guardei'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5442856816013151459</id><published>2011-10-02T16:29:00.002Z</published><updated>2011-10-02T16:49:52.329Z</updated><title type='text'>Fui</title><content type='html'>Fui a caminho do meu vazio. Passei por cima das cinzas do meu passado, e sempre em busca do branco puro que só há no cimo das montanhas onde te escondes, e dei comigo só e gelado.&lt;div&gt;E fui-me despindo de raivas, ressentimentos, desilusões, medos, invejas, malquerenças, ambições, ciúmes, enfim, de tudo o que me pesava nas costas e por fim pude atirar para dentro do meu vazio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando encontrei outros espaços, onde couberam só as coisas que valia a pena guardar, como o teu olhar, como o meu pensamento limpo e livre para se poder abrir a novas sensações, a novas formas de te sentir e experimentar, a novas formas de me conseguir espantar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fui-me libertando de tudo a que me sentia acorrentado deixando-me penetrar pelo novo, pelo diferente, pela paz a que sempre aspirei, mas para que ainda nunca tinha encontrado um espaço dentro de mim onde guardar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fui, e continuei a ir. E fui sendo cada vez mais eu. E fui, aos tropeções, montanha abaixo, cair dentro da tua boca aos beijos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5442856816013151459?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5442856816013151459/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5442856816013151459&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5442856816013151459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5442856816013151459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/10/fui.html' title='Fui'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-6439824830107183823</id><published>2011-09-17T17:08:00.003Z</published><updated>2011-09-17T18:53:03.197Z</updated><title type='text'>O Tempo</title><content type='html'>O tempo passa por mim. Passa por todos nós. E começa a deixar-me marcas na pele, manchas próprias da idade que são como que as cicatrizes dos muitos combates que já travei com a vida. &lt;div&gt;E a saudade de outros tempos, fica como que a tatuar-me a alma, como faziam tantos dos meus camaradas de armas, de quando estávamos na Guerra em África. Só que eles tatuavam nos braços os nomes das mães ou os das namoradas. Eu sempre me tatuei de tempo, e continuo a tatuar-me de tempo, porque acredito que o tempo tem essa tarefa: deixar em nós a sua marca para que nunca nos esqueçamos que ele, quer nós queiramos quer não, não só vive connosco, como vive de nós. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para mim a morte é ter-se-me acabado o tempo, porque o tempo deixou de me ter, para, por sua vez, poder ele, também, viver. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas como sei que há o tempo que se mede e o tempo que se sente, não me importo. Morrer é então deixar de poder medir o tempo, para passar a senti-lo apenas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-6439824830107183823?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/6439824830107183823/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=6439824830107183823&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6439824830107183823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/6439824830107183823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/09/o-tempo.html' title='O Tempo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1601865892502954210</id><published>2011-09-14T20:36:00.003Z</published><updated>2011-09-14T21:42:41.491Z</updated><title type='text'>A Tarde</title><content type='html'>Já me tardava a tarde, e a pouco e pouco ia perdendo a esperança de que viesses. E pus-me a sonhar venturas e agarrei em tintas e em pincéis e colori os sonhos em pinceladas de azul, de azuis de várias cores. &lt;div&gt;E pintei-me a mim mesmo, como se fosse um palhaço no palco da vida. E depois sei que te vi ao longe, a vires ter comigo, como se não tivesses pressa dos meus beijos. E sei que chorei, que chorei  lágrimas também de várias cores enquanto tu me tentavas limpar a cara com um lenço feito de sonhos. Dos teus sonhos. Depois deste-me um beijo, longo, tão longo que o tempo passou e levou as cores todas com ele. Mas uma cor era minha. Era a que era a tua. Era esse azul que trazias sempre nos olhos e que só eu sinto dentro de mim a colorir-me os sonhos. E era já tarde, tão tarde que me esqueci que a noite já tinha passado, e os dias, e os anos, e o tempo, enquanto as nossas bocas se continuavam a beijar, de azul, sem tempo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os meus cabelos, e as minhas barbas, começaram também a cinzar-se em tons de azul, como se fossem  máscaras esculpidas no nada, sem que houvesse gesso, nem pedra, nem madeira, nem bronze. Só o nada ia ganhando forma, talhado a buril e a cinzel, enquanto a tarde tardava em me dizer: amo-te. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perdi a esperança. Perdi o sonho que tinha pintado de muitos azuis. Perdi o teu olhar, também.&lt;div&gt;Envergonhado e pobre como Job, fiquei sentado toda a tarde num banco do jardim das tuas fantasias e adormeci. E as tintas entornaram-se, misturaram-se, e um lago nasceu no meio do jardim, com as águas muito azuis, tão azuis como os teus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas um dia, já não me lembro quando, levantei-me, espantei o sono com palavras mágicas e que só eu sabia, esfreguei os olhos e lavei-os no lago, onde deixei cair, de propósito, tudo o que sentia, tudo o que tinha sonhado durante todo aquele tempo que para ali tinha estado, deitado num banco, a dormir. E parti à tua procura, pobre, sem nada, a não ser uma lágrima azul que durante todo aquele tempo tinha guardado ternamente dentro do teu olhar. Sei que depois nos dissemos coisas ternas, fizemos juras de amores eternos, e passei a viver como Diógenos, o Cínico, dentro de uma barrica onde só pedia por amor de Deus a toda a gente que passava, que não me tapassem a nesga de azul do teu olhar, que teimava em ver dentro de mim, embrulhada nos meus sonhos, como se fosse um presente de Deus ou uma dádiva dos céus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E depois ceguei. Não que tivesse deixado de ver as nuvens e os pássaros e os montes lá ao longe. Ceguei porque deixei de te ver e sempre tive olhos apenas para te olharem e sorrirem de espanto e de alegria. E verem o quanto te amava, o quanto por ti sofria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agarrei no meu bordão e fui esmolando beijos e sorrisos pelo mundo fora, e assim andei, sempre perdido de mim e de ti,  durante tempos e tempos, até que um dia nasci.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já era tarde, e a tarde caia, lá ao fundo, no horizonte, onde se conseguia ver nitidamente as nossas bocas unidas num beijo que já não podia mais tardar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1601865892502954210?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1601865892502954210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1601865892502954210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1601865892502954210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1601865892502954210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/09/tarde.html' title='A Tarde'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8300579540899886856</id><published>2011-09-05T11:49:00.001Z</published><updated>2011-09-05T11:52:22.107Z</updated><title type='text'>Vou Vivendo</title><content type='html'>Vou vivendo nesta procura constante, incansável, de me conseguir manter vivo. E nunca sei se viver é ir levando todos estes anos às costas, como se a vida fosse um saco, onde me vou metendo, aninhando, enquanto oiço lá ao fundo, onde começa o fim do tempo, as trombetas a tocarem um requiem pelo dia em que não houve mais tempo.&lt;br /&gt;E vou vivendo neste engano, nesta "Floresta de Enganos" como lhe chamou Gil Vicente, olhando atentamente para as palmas das minhas mãos, quiromante feito à pressa, a ver se percebia onde iam parar as linhas de um surrealismo só meu, onde ia vendo desenhos de Grandville e ia pensando que a vida, de facto, é um sonho, tantas vezes bizarro, mas um sonho.&lt;br /&gt;Depois peguei em Albert Camus e comecei a ler o equívoco, e senti-me um estrangeiro, a fugir da peste, e numa imparável queda, pelo Atlas abaixo.&lt;br /&gt;Depoi fugi da Argélia e lá fui vivendo mascarado de cartaginês e com um saco às costas, pesado, porque dentro dele levava a minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8300579540899886856?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8300579540899886856/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8300579540899886856&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8300579540899886856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8300579540899886856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/09/vou-vivendo_05.html' title='Vou Vivendo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3887002728745420609</id><published>2011-09-05T11:07:00.001Z</published><updated>2011-09-05T11:07:02.056Z</updated><title type='text'>Vou Vivendo</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3887002728745420609?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3887002728745420609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3887002728745420609&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3887002728745420609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3887002728745420609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/09/vou-vivendo.html' title='Vou Vivendo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8879786857145218660</id><published>2011-09-05T11:03:00.004Z</published><updated>2011-09-05T11:03:52.774Z</updated><title type='text'>Quantas vezes</title><content type='html'>Quantas vezes me sou o somatório de todos os outros meus outros eus?&lt;br /&gt;Quantas vezes percorri caminhos, desci e subi rios que trazia dentro de mim, quantos mares olhei, olhei até que neles me perdi?&lt;br /&gt;Quantas vezes subi as minhas montanhas, e quando lá cheguei acima continuei a subir?&lt;br /&gt;Quantas vezes me fui sendo, enquanto me procurava, acreditando não ter a procura um fim?&lt;br /&gt;Quantas vezes fui mais do que eu para ver se conseguia ser simplesmente eu?&lt;br /&gt;Quantas vezes tenho sido quantas vezes?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8879786857145218660?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8879786857145218660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8879786857145218660&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8879786857145218660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8879786857145218660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/09/quantas-vezes.html' title='Quantas vezes'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4666766498466310181</id><published>2011-09-05T10:49:00.001Z</published><updated>2011-09-05T10:50:10.716Z</updated><title type='text'>Que Estranho</title><content type='html'>Já morri tantas vezes que até já me começo a cansar de morrer tanto.&lt;br /&gt;Acredito que haja quem viva uma vida inteira sem morrer. Refiro-me a estas pequenas mortes, que vão desde o acabar do acto amoroso até ao desencanto com o que vou vendo à minha volta e que nem sempre me deixa viver. Não sei como é que essas pessoa fazem, ou por outra, estou agora aqui a pensar que se calhar sempre estiveram mortas, só que nunca deram por isso.&lt;br /&gt;Eu cá vou tentando conseguir ser, o que acho possível ser quando de facto se vive.&lt;br /&gt;"Diem Perdidi", dizia Frei Bartolomeu dos Mártires quando se calhar via cair a noite sem ter dado conta que o dia tinha acabado. Apenas o tempo tinha passado!&lt;br /&gt;E eu digo também Vida Perdida, quando às vezes chego ao fim do dia e dou conta que não morri. Que estranho! Que estranho estar vivo e não saber o que é viver. Que estranho!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4666766498466310181?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4666766498466310181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4666766498466310181&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4666766498466310181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4666766498466310181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/09/ja-morri-tantas-vezes-que-ate-ja-me.html' title='Que Estranho'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8937961905447396321</id><published>2011-09-03T20:30:00.003Z</published><updated>2011-09-03T21:03:16.710Z</updated><title type='text'>AZUL</title><content type='html'>Olhei para o céu, para esse azul que é da cor da felicidade, e senti como a verdade é verdade: tanto a felicidade como o azul do céu, ninguém consegue agarrar nem tocar ao de leve, sequer. Porque a felicidade há-de estar exactamente na vontade de a ter, de a conquistar e de fazer tudo por alcança-la e retê-la bem dentro de mim, como o céu, que quanto muito consigo ver reflectido nos olhos azuis da mulher que amo.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8937961905447396321?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8937961905447396321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8937961905447396321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8937961905447396321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8937961905447396321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/09/azul.html' title='AZUL'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7591248200469087037</id><published>2011-08-17T17:55:00.003Z</published><updated>2011-08-17T18:18:34.982Z</updated><title type='text'>Noites e dias</title><content type='html'>E fiquei com os olhos cheios de noite, e senti-me livre do passado. Nascia de cada vez que me ia lembrando de ti, nascia para ti e para mim, sempre a recordar-me de quando "tinha rasgado o ventre a minha Mãe".&lt;div&gt;E foi assim que fui nascendo, hoje por uma coisa, amanhã por outra. Nascia só por nascer, só porque sim. E voltava a ser pequeno, frágil, indefeso, dependente. E como cada nascimento é sempre uma separação, eu ia nascendo para me ir separando de tudo. Até de mim, que afinal não conseguia encontrar em parte nenhuma. Mas ia-me separando da vida, do mar, de mim. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a noite caíu-me em cima, como uma faca assassina, e rasgou-me os pensamentos como quem rasga lágrimas por chorar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois olhei-te e vi lá no fundo uma alvorada. E a estrela da manhã foi o Sol que me aqueceu a dor de te perder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pensei nuns poemas de Antero. Em muitos. E também arranjei um castelo. Com uma porta pequena, bem pequena, por onde tive que entrar todo curvado, a lembrar-me da pequenez humana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E parti por paisagens de antes de mim, de antes dos homens, e fui dizendo poemas, uns atrá dos outros, como quem sabe de cór uma oração, como quem sobe escadas para poder por fim descançar na tua mão direita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E senti vergonha do meu cansaço. E deixei que uma chuva miudinha me molhasse até aos ossos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7591248200469087037?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7591248200469087037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7591248200469087037&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7591248200469087037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7591248200469087037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/08/noites-e-dias.html' title='Noites e dias'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7691909759024304846</id><published>2011-08-14T21:28:00.006Z</published><updated>2011-08-14T22:22:50.091Z</updated><title type='text'>ESQUECER</title><content type='html'>E beijei-te com a avidez de quem tem fome desde há muitos sonhos. E senti que o teu olhar me perguntava se era tudo verdade. Foi quando vi que uma lágrima te corria pela cara e me gritava angústias. E até me molhou o peito, enquanto as minhas mãos se passeavam pelo teu sentir.&lt;div&gt;Voltei a beijar-te, os gestos e o sorriso, e com as minhas mãos vazias, esculpi na pedra o teu olhar, e esculpi também depois o travo com que fiquei, ao saborear em ti tudo o que o meu sonho um dia me tinha contado. E sofri, sofri para depois te poder esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E resolvi fugir de ti e de todos, e exilar-me nos confins do mundo levando comigo debaixo do braço um livro de Vintila Horia: "Deus nasceu no exílio". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também Augusto exilou Virgílio para os confins do Império, para Tomes, o país dos Getas. Só que ele, mesmo assim tinha um cão a que pôs, como vingança, o nome de Augusto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas eu não quero ter cão nenhum, e se tivesse, nunca lhe poria o teu nome. Quero esquecer-te, mas sobretudo, quero esquecer-me. De mim. Única forma de me libertar, e ficar preso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando senti que Zamolxis, ao vêr a minha fé, me recebia e apertava ao peito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7691909759024304846?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7691909759024304846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7691909759024304846&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7691909759024304846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7691909759024304846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/08/esquecer.html' title='ESQUECER'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3862877372160646112</id><published>2011-08-08T13:57:00.005Z</published><updated>2011-08-08T15:16:27.086Z</updated><title type='text'>Interrogações</title><content type='html'>Sei ou penso saber, que, de algum modo, somos um, e é por isso que pertencemos a uma coisa a que se chama civilização.&lt;div&gt;Mas será que tudo é igual para todos? E o amor? E esse teu olhar que guardo ciosamente, como só meu? E as lágrimas que só por ti choro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É pelo diferente e pelo contrário que vamos sendo, mas até quando? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E lembro-me daquele fado que o Carlos Ramos cantava, "não venhas tarde". E fico a pensar que um dia também acabarei por ouvir "não venhas cedo".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Afinal acabo por chegar à conclusão de que todos somos o tal "cadáver adiado" de que fala o poeta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E eu? O que vou eu adiando, na esperança de poder um dia viver?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda vou tendo carne, e dentes, e nervos, e voz, e unhas com que arranhar o tempo e poder gritar por ti. Tenho. Mas tenho o quê, se já não tenho esperança?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sei que sem esperança não posso viver. Será que é feita de ar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vou-me fazendo da vida que vou vivendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E caminho como um cego, guiado apenas por um "para onde não sei". Mas que no entanto sinto, e é nesse sentir-me que  vou aprendendo que o meu destino sou eu, embora não seja eu a traçá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cego, toco a vida de ouvido, no meu violino sem cordas e sem alma. Toco notas que vou pensando, enquanto vou andando por caminhos que nunca encontro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca percebi se no dia em que nasci, também foi o dia em que morri. E esta sensação de poder ser póstumo de mim, faz com que me  apaixone pelas ciências inexactas, porque nunca me dão resultado nenhum. Não têm começo nem fim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E porque me hei-de interessar por resultados, se eles são sempre um acabar, um ponto final no parágrafo de mim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E depois fico sempre com esta pergunta: será que eu um dia também nasci?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunto-me muitas vezes "para onde vais?" E sei que não sei, é escusado, a não ser que não vou por onde os outros gostariam que eu fosse, e me dizem mesmo para ir. E insistem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Orgulhoso? Soberbo? Penso que não é isso exactamente, mas porque sou um insatisfeito, um inacabado, um por acontecer, por nunca me chegar a concluir. Sempre em devir, isso sim, sempre em devir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E perdido de todos como quem se perde de si, sem lugar, sem uma pedra sequer, onde deitar a cabeça e descansar, não cabendo em parte nenhuma, terra, estradas, montes, mares, desertos. Em parte nenhuma. Nem na parte que me cabe só por estar vivo, mas onde mesmo assim não caibo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, não tenho caminhos que me cheguem. À minha frente o tudo e o nada confundem-se, e para me distrair ponho-me a ouvir o Adagietto da 5ª sinfonia de Gustav Mahler.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se ser é ser diferente, como disse Karl Jaspers, como consigo eu, às vezes, ser diferente sem ser?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho pena de ter perdido um livro em que ele dizia isto. Mas também já perdi tanta coisa na vida, que até já me é indiferente ser ou não ser diferente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se continuo a ser sem saber quem sou ou o que sou, resta-me ter amanhãs e procurar ser eterno. E a diferença estará nisto: se me pergunto, é porque existo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3862877372160646112?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3862877372160646112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3862877372160646112&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3862877372160646112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3862877372160646112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/08/interrogacoes.html' title='Interrogações'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7306684726489195892</id><published>2011-08-08T09:47:00.002Z</published><updated>2011-08-08T11:05:34.150Z</updated><title type='text'>Mais uma coisas que fui escrevendo</title><content type='html'>E ele respondeu-me:&lt;div&gt;Sou um romântico de pechisbeque, uma partícula do que realmente gostaria de ser, ou de ter sido, e que  até consegui ser, em certa medida, mas noutros tempos, há muito tempo. Raspo o ouro, da aparência, e o que aparece é de facto um pouco de zinco e de cobre. Mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sabes, continuava ele, sou uma imitação de mim mesmo, uma caricatura, uma fraude. Um aproveitamento que faço, e bem, confesso, da estupidez humana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas é disso tudo que também faço a minha obra de arte, e, apesar de tudo, sinto que essa arte é a minha forma de ver Deus, e, como para mim, tanto a Arte como Deus, são duas coisas invisíveis,  só as posso sentir! E sinto, à minha maneira! Isso sinto! Acredita. E é a sentir tudo isso que eu próprio sou Arte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando me lembrei de Giovanni Papini, em "O Livro Negro", naquela entrevista que ele faz a Picasso e onde este lhe diz que, e cito, "verdadeiros pintores foram Giotto e Ticiano, Rembrandt e Goya: eu não passo de um "amuseur public", que compreendeu o seu tempo e explorou, o melhor que soube, a imbecilidade, a vaidade e a cobiça dos seus contemporâneos. É uma confissão amarga, a minha, mais dolorosa do que lhe poderá parecer, mas tem o mérito de ser sincera". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Et après ça, concluiu Pablo Picasso, allons boire".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também eu fui beber um copo com o meu amigo, feliz por ter um amigo capaz de se abrir desta maneira comigo. A sinceridade com que me falou, fez com que eu o tivesse começado a amar muito mais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7306684726489195892?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7306684726489195892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7306684726489195892&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7306684726489195892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7306684726489195892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/08/mais-uma-coisas-que-fui-escrevendo.html' title='Mais uma coisas que fui escrevendo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2058492618211990289</id><published>2011-07-23T18:05:00.003Z</published><updated>2011-07-23T18:43:40.563Z</updated><title type='text'>Um fado, como se fosse um fado</title><content type='html'>Já não sei se te perdi nesses olhos por onde andei, mas sei que foi quando te senti, que os meus olhos me disserem que te amei. Se te encontro no vazio dos muitos olhares que trocamos, foi só porque senti, dentro de mim, o frio dos beijos que não beijámos. E olhei então bem para dentro de ti, sempre nesta procura de te ter, envolto nos ventos com que me parti, à procura dos mares do saber e não saber. Então, lá mesmo muito ao fundo, senti vivo o desejo de te ter, mas perdi-me esfacelado pelo mundo, e sei que se me perdi foi por te querer. Depois, beijei-te todos os sentidos, e também os olhos e a boca, e sei que te beijei tudo o que consegui sentir, numa busca frenética e quase louca, de me deixar ficar sempre agarrado à ideia de partir. E no fado que tem sido o meu destino, neste imenso medo de te perder, fui caminhando sempre por esse teu caminho, nesta angústia de te ser e de não ser. Fiquei sozinho, abandonado, completamente perdido, cantando só para ti o fado do meu chorar, esse fado que tem sido o meu destino, feito deste choro, que choro, sempre a cantar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2058492618211990289?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2058492618211990289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2058492618211990289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2058492618211990289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2058492618211990289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/um-fado-como-se-fosse-um-fado.html' title='Um fado, como se fosse um fado'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8842952722088037442</id><published>2011-07-22T18:12:00.003Z</published><updated>2011-07-22T19:37:35.623Z</updated><title type='text'>Sentir-me teu</title><content type='html'>Ah! Como te amo, Amor! Como te amo! E tu sempre a duvidar!&lt;div&gt;Um dia vi-te, e é desde esse dia que me sinto permanentemente a acordar, para a vida, para ti de novo, e de novo, numa constante e obsidiante ânsia de te ter, sempre. De te ser, sempre, mesmo sem to conseguir dizer, por já nem conseguir falar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amar, amar, sem mesmo saber o que é amar. Como é amar. Amar só por amar, e nisso caber o Amor. Todo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os ventos embrulharam-me em espanto, num celofane só nosso, e fui contigo por caminhos que vou encontrando, descobrindo, e onde te encontro a ti também, a cada esquina do tempo, sempre tu, sempre azul como o céu que um dia encontrei escondido dentro do teu peito. Escondido dentro do teu olhar. Escondido, para que só dentro de ti eu o pudesse encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dizer-te tudo isto? Mas como, se as palavras são tão pobres, e eu tão pobre de palavras? E de amor! Mas sonho! Nisso sou rico. Muito rico acredita. Sim, apenas sonho, um sonho de te acordar, para partirmos juntos, cedinho, pela montanha do nosso esquecimento, sempre a subir, sem parar, e só nos podermos lembrar deste amor que nos temos, e depois, lá bem no cimo da montanha, nos podermos amar, cada vez mais perto do céu, cada vez mais perto de ti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Duvidas que te amo, só porque sou vulcão, só porque não choro lágrimas, mas escorro lavas, escoriáceis e quentes, tão quentes como o amor que tenho por ti. Mas também são lágrimas, da terra, da terra que também sou eu, a chorar, por ti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E depois as lavas secam, vidram, e eu aqui e ali vou plantando bacelos de um vinho para podermos fazer e beber mais tarde, o vinho do nosso contentamento, da nossa embriaguês por nós, do encontro da verdade com o sentir, e sentir-te, nos olhares que nos damos, e que depois afago, com mãos de nada e de tudo, com as mãos com que te acaricio a cara e os sentidos, e as tuas mãos também, bem apertadas nas minhas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E sento-me a escrever isto tudo, só para te poder ler mais tarde, e reler, e voltar a ler, sem nunca me cansar. E depois te poder beijar o espanto, que tens em espera, à espera que o dia se faça luz e por fim te possa encontrar, nesse pranto, de por fim me sentires teu, a amar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, não guardo o que escrevo para te lembrar, porque um dia li a legenda de um soneto de Shakespeare que dizia "Guardar coisa qualquer para te lembrar / Seria o esquecimento confessar". E tu sabes que a ti sou capaz de confessar tudo, menos isso. Era mentir. Era mentir-te. E isso eu não sou capaz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8842952722088037442?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8842952722088037442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8842952722088037442&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8842952722088037442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8842952722088037442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/sentir-me-teu.html' title='Sentir-me teu'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5083616719305673459</id><published>2011-07-11T15:30:00.009Z</published><updated>2011-07-11T16:57:07.483Z</updated><title type='text'>Mais sem data. Apenas dias.</title><content type='html'>Esta noção que me dá esperança e paz, de que quanto mais sinto a minha dimensão temporal e finita, mais me sinto na necessidade de fazer alguma coisa que fique, para além do tempo, faz-me pensar nos limites que a minha condição humana me impôe, faz-me querer viver de olhos postos em ti, meu amor. &lt;div&gt;De certo modo o olhar-te assim já é uma forma minha de me eternizar. E os Filhos, e os Filhos dos Filhos já são muito isso, porque nasceram desse teu olhar quando se encontrou com o meu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O resto, o que escrevo, são bilros que uma velhinha me ensinou a fazer, rendilhados que faço para ornamentar tudo isso. Adeus. Um beijo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sempre que escrevo e pinto (hoje já só pinto a imaginar-me a pintar), amo mais, e vejo que isso é verdade porque fico inconstante e inquieto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As letras e as cores são apenas os gestos com que te aceno a despedir-me. Da vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gosto de ler, ouvir música, aprender. E descubro sempre o que já sei, o que já li, ouvi e aprendi sem ter percebido o que me estava a acontecer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A verdade é que às vezes penso e sinto, que o meu mundo é já muito antigo, pelo menos tão antigo como o tempo, o que me dá a sensação de ter todo o tempo do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas os teus olhos vêm dizer-me que tenho os dias contados, um a um, pelos dedos da existência, pelos dedos de uma criança que ainda não sabe bem a tabuada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou então tudo não passa de uma vaga fantasia. Como a morte, em António Boto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perdi-me de ti e de mim. Perdemo-nos um do outro e de nós, neste procurarmos a esmo esse nós, que só pode estar bem dentro de nós.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando crio estou quase sempre mais mal humorado. Apetece-me transgredir, romper com as fronteiras do mundo e com as do quotidiano. Com as fronteiras que os outros me querem impôr. Fico birrento, indisciplinado, insofrido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois penso que o adolescer é, quase por definição, transgressivo, e então sinto-me em fases por que já passei há muito tempo, quando era adolescente, e sinto que preciso de transgredir, de me indisciplinar, para acreditar que ainda continuo a crescer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O paradoxo em mim, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5083616719305673459?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5083616719305673459/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5083616719305673459&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5083616719305673459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5083616719305673459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/mais-sem-data-apenas-dias.html' title='Mais sem data. Apenas dias.'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5106597490889421552</id><published>2011-07-11T15:30:00.007Z</published><updated>2011-07-11T16:56:02.576Z</updated><title type='text'>Mais se data. Apenas dias.</title><content type='html'>Esta noção que me dá esperança e paz, de que quanto mais sinto a minha dimensão temporal e finita, mais me sinto na necessidade de fazer alguma coisa que fique, para além do tempo, faz-me pensar nos limites que a minha condição humana me impôe, e faz-me querer viver de olhos postos em ti, meu amor. &lt;div&gt;De certo modo o olhar-te assim já é uma forma minha de me eternizar. E os Filhos, e os Filhos dos Filhos já são muito isso, porque nasceram desse teu olhar quando se encontrou com o meu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O resto, o que escrevo, são bilros que uma velhinha me ensinou a fazer, rendilhados que faço para ornamentar tudo isso. Adeus. Um beijo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sempre que escrevo e pinto (hoje já só pinto a imaginar-me a pintar), amo mais, e vejo que isso é verdade porque fico inconstante e inquieto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As letras e as cores são apenas os gestos com que te aceno a despedir-me. Da vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gosto de ler, ouvir música, aprender. E descubro sempre o que já sei, o que já li, ouvi e aprendi sem ter percebido o que me estava a acontecer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A verdade é que às vezes penso e sinto, que o meu mundo é já muito antigo, pelo menos tão antigo como o tempo, o que me dá a sensação de ter todo o tempo do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas os teus olhos vêm dizer-me que tenho os dias contados, um a um, pelos dedos da existência, pelos dedos de uma criança que ainda não sabe bem a tabuada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou então, tudo não passa de uma vaga fantasia. Como a morte, em António Boto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perdi-me de ti e de mim. Perdemo-nos um do outro e de nós, neste procurarmos a esmo esse nós, que só pode estar bem dentro de um continente perdido, algures, e que se chama Nós.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando crio estou quase sempre mais mal humorado. Apetece-me transgredir, romper com as fronteiras do mundo e com as do quotidiano. Com as fronteiras que os outros me querem impôr. Fico birrento, indisciplinado, insofrido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois penso que o adolescer é, quase por definição, transgressivo, e então sinto-me em fases por que já passei há muito tempo, quando era adolescente, e sinto que preciso de transgredir, de me indisciplinar, para acreditar que ainda continuo a crescer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O paradoxo em mim, além de ser muitas coisas e haver dele várias definições, é este :  por um lado, aceitar a morte de bom grado, mas por outro ter medo dela, só porque tenho contas para pagar ao banco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De resto, penso que é só ter uma conversa de pé de orelha com Caronte e talvez ele me deixe passar o Estige sem ter que lhe pagar o meu óbulo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5106597490889421552?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5106597490889421552/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5106597490889421552&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5106597490889421552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5106597490889421552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/mais-se-data-apenas-dias.html' title='Mais se data. Apenas dias.'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5209370939863777389</id><published>2011-07-11T12:18:00.003Z</published><updated>2011-07-11T13:37:24.358Z</updated><title type='text'>Mais textos de dias sem datas</title><content type='html'>É curioso como levo anos a pensar e a amadurecer coisas dentro do meu peito, que depois sou capaz de fazer apenas em alguns minutos.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando escrevo e crio alguma coisa, sinto que me procuro e que quero ir um pouco mais ao meu encontro. E depois escrevo mais para poder fazer as pazes comigo, e passo a gostar um pouco mais de mim, só porque fico um pouco mais insatisfeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando era mais novo gostava imenso de tirar fotografias, e de ficar com recordações de pessoas ou de coisas que me tinham acontecido. Mas no fundo, o que eu sempre quiz foi ficar só com as películas e nunca as revelar. Bastava-me lembrar-me do que me tinha acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho-me mais parecido com elas porque sei que sou só, e apenas, um negativo de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se o observador deturpa aquilo que observa, diz a física, quem escreve também deturpa o que escreve ao deturpar o que pensa que quer escrever. Escrever é deturpar o pensamento, é querer metê-lo nas palavras. E sinto que isso é de facto impossível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se calhar escrever não é senão desafiar o impossível. O que dirá a física? Mais uma coisa que eu não sei. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há pessoas que vou conhecendo aqui e ali, e que são sempre muita gente ao mesmo tempo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E depois percebo que afinal não encontrei ninguém, quando descubro não serem nada do que pensam ser. Falam, gesticulam, umas vezes choram outras riem-se descontroladamente. Mas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando depois olho para as minhas mãos à procura delas, estão vazias e só consigo ver uma multidão, onde ninguém é tudo e todos me parecem ser o nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Às vezes penso que as pessoas engordam, não com o que comem mas com o que pensam ser na vida. Algumas chegam a ser grandes e a ficar na história. Acham-se imensas, olhando à sua volta de cima do seu metro e qualquer coisa de altura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No entanto penso que só se consegue ser imenso quando se morre. A morte sim, é imensa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pelo menos nunca conheci ninguém que já lhe tenha descoberto os limites.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando eu morrer resta-me a consolação da vingança de saber que a minha morte morre comigo. Arrasta-me, mas eu também a arrasto, a ela. Sei que não vou sozinho, como dizem os bêbedos depois de beberem muito vinho. Eles vão acompanhados pelo álcool, eu vou acompanhado pela vida que vivi e que só a morte me pode tirar. Mas ao tirar-me a minha vida também me tira a minha morte, porque a verdade é que nunca mais me vê morrer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo se acaba e então sim, sei que fico eternamente sozinho comigo mesmo. Mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São tantas as vezes que me sinto rodeado de pessoas, e ao mesmo tempo terrivelmente só. Até podem haver por lá alguns amigos, mas é difícil que algum seja íntimo. E é só essa intimidade, essa cumplicidade, esse gosto em nos sabermos juntos que penso ser a amizade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amigo é uma palavra mais do que estafada. Amigos há poucos. Tenho poucos. Conheço é imensa gente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando não me sinto amado, sinto-me póstumo, e acabo por me esquecer de mim, lembrando-me apenas, e às vezes tão obsessivamente, do que não fui, do que nunca consegui ser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E quando tomo consciência de que não consigo ser, então é porque já estou morto, mesmo sem o conseguir perceber.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este rio que sou eu sempre a viver, como um rio sempre a passar, precisava de ser como o vento, e saber, de vez em quando, parar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há sempre pessoas com quem sinto que posso fazer bons negócios. Basta-me comprá-las pelo preço que valem e depois vendê-las pelo preço que julgam valer. É dinheiro em caixa!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É quando mais me pergunto quem sou e o que ando para aqui a fazer, que mais dou comigo a sonhar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E sempre que sonho e depois me consigo lembrar do que sonhei, aproveito para aprender qualquer coisa, mesmo o que já sei. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5209370939863777389?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5209370939863777389/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5209370939863777389&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5209370939863777389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5209370939863777389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/mais-textos-de-dias-sem-datas.html' title='Mais textos de dias sem datas'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1275800775286897312</id><published>2011-07-11T11:59:00.002Z</published><updated>2011-07-11T12:16:06.174Z</updated><title type='text'>UM SONETO</title><content type='html'>Carreguei-te aos ombros da tristeza,&lt;div&gt;Como se fosses pedaços de memória.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fui, a pouco e pouco, perdendo a certeza, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;De vir a ter algum dia a minha história.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Guardei-te no peito das minhas amarguras,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No fundo de um coração que nunca percebi, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E dei então comigo só, nu e às escuras,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Onde por fim, lá muito ao fundo, te descobri.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amor, já nem sabia muito bem o que isso era,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os beijos que te queria dar perdia-os no vento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto amassava somhos com água e terra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E só depois, então, quando outra vez te olhei,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É que senti dentro do meu, o teu pensamento,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E aceitei ter-te dado o beijo que te não dera.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1275800775286897312?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1275800775286897312/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1275800775286897312&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1275800775286897312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1275800775286897312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/um-soneto.html' title='UM SONETO'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5940970062374378</id><published>2011-07-10T13:33:00.005Z</published><updated>2011-07-10T14:33:19.608Z</updated><title type='text'>mais uns textos que tinha na gaveta</title><content type='html'>E lavrei sentimentos como quem lavra uma terra já há muito esquecida e abandonada às ervas daninhas. Depois peguei numa charrua a cair de podre e comecei a sulcar a terra como quem escreve as páginas de um livro que é a vida, a minha vida.&lt;div&gt;E quanto mais sulcava essa terra adormecida, mais ia juntando as palavras umas às outras, a tentar encontrar-lhes um sentido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a terra assim arroteada, ia a pouco e pouco sendo um livro. Depois fixei bem o meu olhar também já cansado, e vi que a terra era eu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando peguei no saco do semeador, e às mão cheias semeei aquela terra com pedaços do que restava de mim. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia dei comigo a pegar na cesta de costura que tinha sido da minha avó e a começar a passajar uns rasgões que reparei que a vida, com o tempo, me tinha ido fazendo na alma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas quanto mais cosia, mais rasgões havia. Foi quando percebi que a minha alma se estava a rasgar toda, a desfazer-se, puída pela inexorável passagem do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiquei sozinho, ou quase, ao ver que apenas tinha por companhia, a minha solidão. E senti um aperto tão grande no peito que cheguei a pensar que eras tu a dar-me o abraço por que espero já há tanto tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui escolhendo as palavras como um pintor escolhe as tints. Também as misturei, na paleta da minha vida, e depois foi a ouvir as variações Goldberg, de Bach, que te olhei e vi que também me sorrias com os teus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo me tem acontecido na vida. Até viver. Até dar comigo a pensar que eu não sou eu, mas o outro. E fico sem perceber se o que penso são gestos, se são olhares ou sorrisos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;São com certeza as mais variadas formas de me ser ou de te ser, perdido como tantas vezes me sinto, sem oriente, no meio de uma rosa dos ventos que só aponta para ti. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a carta de marear sou eu e tu ao mesmo tempo. Coisas que me vão acontecendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Centauro de mim, sou sempre dois, e faço do meu barco o meu outro eu. E procuro um porto para acostar, atracar, e às vezes, eu sou assim, onde me deixe mesmo naufragar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem sempre os cabos são fortes, nem os molhes resistentes. É quando me dá mais prazer partir à deriva, pelo azul dos teus olhos, eu e o meu barco, centauro de mim mesmo, por esse mar que também sou eu, quando te sinto e te quero, meu amor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a saudade foi uma mancha no tempo, como aquelas que às vezes se podem ver no Sol ou na Lua, ou como as que ficam na parede quando dela se tira um quadro que não está no lugar certo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois fui à tua procura e foi com essas manchas que tatuei no peito o teu sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E senti-me feliz por ser, apenas e só, uma mancha no teu deserto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entrei no teu pensamento em silêncio, como deve ser sempre um beijo de amor ou um abraço terno. E foi só assim que depois pude ouvir bem o teu olhar agradecido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perco-me de mim e perco-me de nós. Mas sempre que nos encaminhamos um para o outro, acontece qualquer coisa que faz com que de uma maneira ou doutra, nos encontremos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5940970062374378?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5940970062374378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5940970062374378&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5940970062374378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5940970062374378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/mais-uns-textos-que-tinha-na-gaveta.html' title='mais uns textos que tinha na gaveta'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4518390382297303425</id><published>2011-07-10T12:46:00.002Z</published><updated>2011-07-10T13:29:22.704Z</updated><title type='text'>Relendo e retendo</title><content type='html'>Tenho andado a reler alguns escritores  franceses do século XIX, e vou-me lembrando de que quando os li pela primeira vez, era pouco mais que um adolescente, inquieto e ávido de tudo. Hoje continuo inquieto embora já não tenha nada de adolescente e os anos me tenham secado a pouco e pouco, a avidez. &lt;div&gt;Desses autores todos, continuo a ter um especial carinho pelo Guy de Maupassant e do "Bel Ami", até porque no fundo, como ele, também eu tive uma juventude aventureira, e nalguns casos, e como diz o poeta, "teria vergonha de a contar seja a quem for"; pelo Honoré de Balzac, com o "Père Goriot" mas sobretudo com "A Comédia Humana", que eu próprio tenho vindo a viver há tanto tempo, rindo-me de tudo e até de mim; de Victor Hugo e a sua inultrapassável obra "Os Miseráveis", turba multa de quem desde sempre tento libertar-me, mas que infelizmente continuo a ver pulular à minha volta, na sua mediocridade e pequenez de espírito; o Émile Zola, com a "Therese Raquin" ou o célebre e corajoso "J'accuse", com que contra tudo e todos defendeu a capitão Dreyfus do farisaísmo hipócrita daquela sociedade, que afinal continua a ser esta em que vivo, e que erradamente, tantas vezes me dá uma ilusória liberdade de me pôr também a acusá-la, esquecendo-me que sempre que lhe aponto o dedo acusador tenho outros três dedos virados para mim; e por fim o Gustave Flaubert, com a "Educação Sentimental" onde diz que "nada é mais humilhante do que ver os tolos a vencer naquilo em que nós fracassamos", o que me faz pensar em tantas coisa por que já passei e de que saí vencido, ou ainda com a espantosa "Madame Bovary", de que me lembro sempre que me sinto traído e do que se diz que ele terá dito à hora da morte "morro, mas essa puta da Bovary vai continuar a andar por aí". E anda, a verdade é que anda, enquanto continuo a ler e a reler tantos livros dizendo para mim como S. Tomás de Aquino, "timeo hominem unius libri" receando de facto, e no seu duplo sentido, o homem que só leu um livro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4518390382297303425?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4518390382297303425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4518390382297303425&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4518390382297303425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4518390382297303425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/relendo-e-retendo.html' title='Relendo e retendo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-9136279761109961857</id><published>2011-07-01T13:34:00.006Z</published><updated>2011-07-01T17:18:23.225Z</updated><title type='text'>mais dias sem datas</title><content type='html'>Sou tantas vezes eu, quantas eu quero. E às vezes dou comigo já cansado de ser e de ter tantas vezes esse eu dentro de mim, a ser outros. &lt;div&gt;Uma espécie do "ser tudo de todas as maneiras", à F. Pessoa. E converso, tenho mesmo longas conversas comigo, àcerca dessas várias maneiras de me ser. Mas é sempre uma conversa inacabada, que me deixa sempre um travo amargo na boca  -  ou no pensamento?  -  por achar que fica sempre qualquer coisa por dizer. Às vezes por pudor. Não é que eu tenha vergonha de mim, ou de como sou,  e do que digo, mas por vezes fico mal à vontade com algumas formas de me ser. E não são poucas as vezes em que fico pasmado com alguns desses meus eus que até se convencem de que me conhecem. É nessas alturas que me sinto profundamente ignorante. E não sei bem se por mim ou se por eles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entro num combóio. Num cacilheiro. Num metropolitano. No trânsito à hora de ponta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tanta gente, tanta coisa, tanto barulho! E que vazio, meu Deus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou amigo sem saber nunca porque o sou. Sou amigo, acreditando que a amizade é qualquer coisa que nunca poderei atingir. É um estar entre várias coisas, quase inconciliáveis, ou então que apanas os deuses poderão, talvez, algum dia conciliar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas nunca tenho com quem me reunir em concílio, para depois publicar uma carta, uma encíclita ou uma bula sobre a amizade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Li Ouvidio mas ele nunca me essinou a amar. Apenas me fez pensar no amor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Devia ter lido Maquiavel, se eu pudesse ser um prícipe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dedilhei as estantes da minha biblioteca, como quem dedilha as teclas de um piano. E dou comigo a procurar Dante para lêr "La Vita Nuova". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas se calhar apenas ando a ver se encontro a minha Beatriz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois peguei num livro de Miguel Angel Astúrias, "Arquitectura da Vida Nova", e fiquei a pensar na relação que poderia haver entre tudo isto, e até que ponto também eu tinha que arquitectar uma vida nova.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho para mim que a vida é frágil, muito frágil. Por muito pouco pode partir-se. Só a morte é forte e poderosa e por alguma razão sai sempre vencedora. Por isso tenho sempre uma grande preocupação de pôr no caixote da minha vida, e bem à vista de toda a gente, uma etiqueta a dizer : "Frágil". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parece que o Emílio Salgari, o escritor que mais li na minha adolescência e mais me fez sonhar, mesmo quando já tinha passado a idade dos sonhos, sem nunca ter saído da pequena cidade onde viveu toda a vida, escreveu e descreveu até à minúcia, as mais variadas aventuras, passadas nos mais variados pontos do globo, com gentes estranhas e hábitos dos mais esquesitos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E eu ia viajando com ele, por todos esses lugares, fiz parte de expedições audaciosas e entrei em batahas, tanto em terra como nos mares, enquanto eu ia viajando por dentro de mim, e me ia &lt;/div&gt;&lt;div&gt;encontrando aqui ou acolá, espalhado pelo mundo e pelas pessoas, como sempre estive e afinal continuo a estar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando oiço falar de liberdades e garantias, desconfio sempre de quem as diz, e lembro-me daquela história que se conta, penso que passada com António Enes, não sei bem, mas que dizia que quando ouvia a populaça na rua a gritar "Viva a Liberdade", não resistia a levantar-se e em ir até à janela para vêr quem é que ia preso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-9136279761109961857?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/9136279761109961857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=9136279761109961857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/9136279761109961857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/9136279761109961857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/07/mais-dias-sem-datas.html' title='mais dias sem datas'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3470833341490700490</id><published>2011-06-27T13:43:00.004Z</published><updated>2011-06-27T15:39:47.741Z</updated><title type='text'>Como se fosse um diário, mas sem datas</title><content type='html'>Quando me sinto a sentir que me sinto, procuro esvaziar-me de tudo e até de mim. Esvazio de mim o pensamento, a razão, a memória, os sentidos. Tudo em mim fica vazio.&lt;div&gt;E depois acredito que só assim, por fim, me consigo sentir. Só, ou apenas na tua memória.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gosto das pessoas. Mas, do que mais gosto é das diferenças que encontro entre as pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando Matisse ilustrou "As Flores do Mal", do Baudelaire, tentou mostrar como a mulher é soberana, mesmo quando é escrava. Ela dá a vida, o homem apenas contribui. E isso inquieta-me, e faz-me sentir cada vez mais a necessidade de me abrir ao espanto.  À mulher fica reservado o poder-se abrir à vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quanto mais intensa é a minha inquietação, mais me sinto perto da espiritualidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tanta coisa me seduz, me atrai, me inquieta, que só posso pensar que alguma coisa em mim está a mais. E isso faz-me pensar em Deus e em como voltar a ser criança. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Picasso esperava um dia conseguir pintar como uma criança e como também disse Matisse, devíamos ser toda a vida como crianças. Não se costuma dizer que as crianças estão mais perto de Deus? Mas já não sou, e lá estou eu a inquietar-me. Resta-me Deus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Escrevo, e se não me rasgarem e deitarem fora tudo o que tenho escrito, alguma coisa de mim ficará, mesmo que esquecida, algures numa biblioteca perdida. Talvez mais tarde um qualquer arqueólogo encontre enterrado algum fragmento e possa escrever a partir daí uma comunicação à Academia, sobre a loucura lúcida em que se vivia nesta época. Em que eu vivia naquela época. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca aprendi nada com o que aprendi. Apenas fui juntando conhecimentos, amontoando saberes. Depois fiquei mudo e quedo, sem perceber nada, sem saber nada, a não ser que mais uma vez tinha falhado e que até nisso tinha falhado. E perguntei-me: "tu quoque, fili?", e senti-me apunhalado pela vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O meu deserto é quando olho para a página ainda em branco do meu caderno, e depois começo a plantar nela palavras como se fossem palmeiras e tamareiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como nunca encontro água para me matar a sede, - no meu mapa nunca há oásis -  desfaleço, a boca gretada, e as páginas a ficarem sempre por preencher. Depois há tempestades de areia para cobrir tudo. Para me cobrirem todo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É quando me sinto a cair num abismo sem fundo, mas que me atrai por ser a voragem onde me quero perder, sem lhe conhecer o fim. "Abyssus abyssum invocat." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o deserto sou eu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o abismo és de facto tu a chamar-me.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A paz dos teus olhares faz-me partir contigo nem eu sei para onde, nem mesmo me importo muito em saber. Apenas quero partir, sabendo perfeitamente que não vamos chegar juntos a parte nenhuma. Mas é isso, é isso. O que quero mesmo é partir, e não chegar a parte nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apetece-me correr contra o tempo para que a minha vida seja mais breve. Ou mais intensa, já que como alguém dizia, é demasiado curta para ser pequena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Não creio como eles creem, não vivo como eles vivem, não amo como eles amam . . . mas morrerei como eles morrem".     Marguerite Yourcenar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sou um revolucionário, mas um revoltado. Quero sempre outra coisa, ou quero mais, ou que seja mais completo, ou . . . e é assim que crio, sendo subversivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3470833341490700490?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3470833341490700490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3470833341490700490&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3470833341490700490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3470833341490700490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/06/como-se-fosse-um-diario-mas-sem-datas.html' title='Como se fosse um diário, mas sem datas'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4522032224934197965</id><published>2011-06-26T20:49:00.008Z</published><updated>2011-06-26T21:44:55.818Z</updated><title type='text'>Coisas que vou dizendo e de que às vezes tomo nota</title><content type='html'>Leio livros que me ajudam a pensar. Que até me ajudam a ser. Só que depois, como não fui eu a escrevê-los, não consigo ter com eles uma relação de amor. &lt;div&gt;E tenho pena, tenho mesmo muita pena.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isto de gostar de me sentir sempre bem no meu deserto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É a maneira que arranjo de estar sempre tão longe de ti&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como de ti estar sempre também tão perto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E de encontrar tudo o que procuro em ti dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A amizade é uma das coisas mais importantes que tenho na minha vida. É a minha obsessão, a minha eterna doença da procura. E nem quero que haja algum cientista que lhe encontre a cura, porque esta amizade que tenho pela amizade é o que me alimenta a vida, apesar de sentir que se calhar nunca me levará a parte alguma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou amigo do meu amigo como se não fosse amigo de coisa nenhuma. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Às vezes dou comigo a discutir comigo imensas coisas. E devo confessar,  que como já dizia Paul Valéry, nem sempre concordo comigo. Sou assim, eu e o outro, que se adoram mas também se odeiam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pela morte, tenho-me reaproximado de pessoas de quem um dia gostei e depois acabei por me afastar. Sempre o tempo, sempre o tempo empenhado em separar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fico a pensar quantas oportunidades perdi de as abraçar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ontem cheguei a casa e pus-me a ouvir as Gimnopedias do Sati, que um amigo meu me deu aqui há um bom par de anos. Lembro-me de que nessa altura as ouvia vezes sem conta no meu carro, e quando chegava a casa punha-me de novo a ouvi-las sentado no sofá. Depois deixei de as ouvir. Esqueci-me delas e esqueci-me dele. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sinto tudo tão intensamente que acabo por não sentir. É como qualquer coisa que acaba por se gastar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se calhar, só quando um de nós morrer, nos vamos então voltar a ver. E nessa altura - estou eu agora aqui a pensar - vou pedir a alguém que ponha o disco para que eu possa voltar a ouvir Sati. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4522032224934197965?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4522032224934197965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4522032224934197965&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4522032224934197965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4522032224934197965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/06/coisas-que-vou-dizendo-e-de-que-as.html' title='Coisas que vou dizendo e de que às vezes tomo nota'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5231010988096212546</id><published>2011-06-26T20:17:00.005Z</published><updated>2011-06-26T20:47:57.039Z</updated><title type='text'>O tempo e o Beijo</title><content type='html'>O calor aperta, e é muito! Também não é de admirar, estamos em Junho! Mas é tanto o calor que faz lá fora como é o frio que sinto dentro do meu peito. &lt;div&gt;E não sei porquê. Sei que sempre que o tempo muda, também eu mudo nas minhas muitas e variadas  interrogações. Nas muitas perguntas que me faço, a frio ou a quente, durante todo o dia, até que já cansado, me deito. E a noite é sempre mais fria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E acabo por nunca saber ao certo, se te amo ou se apenas te desejo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O tempo a passar,  a mudar, e eu a pensar que tudo não passa de um ensejo, aquilo a que também há quem lhe chame apenas, oportunidade. Talvez!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E talvez seja mesmo de aproveitar, mesmo sem saber o quê. Nem para quê. Nem porquê.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A verdade é que não deixa de ser sempre, de facto, apenas mais uma oportunidade para te dar um beijo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E isso não posso perder, faça calor lá fora ou frio dentro do meu peito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5231010988096212546?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5231010988096212546/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5231010988096212546&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5231010988096212546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5231010988096212546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/06/o-tempo-e-o-beijo.html' title='O tempo e o Beijo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4136199009888255476</id><published>2011-06-26T18:50:00.007Z</published><updated>2011-06-26T19:13:22.305Z</updated><title type='text'>NÃO SEI</title><content type='html'>Não sei se parti ou se cheguei. &lt;div&gt;O tempo que passa por mim não é constante. Se calhar nem é tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se é tempo, pelo contrário, é como eu: inconstante. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não porque tenha a certeza de estar ou não vivo, de estar ou não morto. Não, isso não sei. Só sei que existo. Mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como, de que maneira, é que já não sei. Nem vejo sequer maneira de alguma vez vir a saber isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aliás é coisa que pouco me importa. Porque só me importa saber e sentir que é como ec-xistente que me consigo transcender. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vivo ou morto, estou apenas sujeito às leis da natureza humana. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E humano é que nunca consegui ser na minha natureza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4136199009888255476?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4136199009888255476/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4136199009888255476&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4136199009888255476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4136199009888255476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/06/nao-sei.html' title='NÃO SEI'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-4346142584841605785</id><published>2011-05-28T20:20:00.001Z</published><updated>2011-05-28T20:20:11.457Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-4346142584841605785?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/4346142584841605785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=4346142584841605785&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4346142584841605785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/4346142584841605785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/05/blog-post.html' title=''/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3754382225795472402</id><published>2011-05-28T17:48:00.007Z</published><updated>2011-05-28T20:14:20.673Z</updated><title type='text'>Estética e Tragédia</title><content type='html'>Um dia destes, reli uma entrevista que Miguel de Unamuño dava em 1936 no começo da Guerra Civil de Espanha e em que dizia "não sou fascista nem bolchevista; sou um homem só". E rematava: como o Croce. Penso que se referia ao Benedetto Croce, que tanto enfluenciou o meu pensamento estético de quando era pouco mais que um adolescente, sobretudo com "A estética como ciência da expressão". Homem triste, perdeu os pais e a irmã, quando na ilha de Ísquia onde todos passavam férias, houve um terramoto. Ele próprio chegou a estar soterrado. &lt;div&gt;Afinal como eu, tantas vezes, com os terramotos que também sofro quando não me consigo fazer entender, por mais que eu seja lúcido, tenha emoções e seja capaz de as não esconder.&lt;div&gt;&lt;div&gt;Depois lembrei-me de quando li o "Do sentimento trágico da vida", esse expoente do pensamento de Unamuño, feito de dúvidas e interrogações, sempre dividido entre a ânsia do absoluto e a evidência da morte, o que o leva a dizer "e se é o nada que nos está reservado, façamos então com que isso seja uma injustiça". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tragédias que me fazem ser um tragígrafo das minhas pequenas grandes tragédias, pensando que trágico mesmo é ser como aqueles para quem nada é trágico. Rio-me deles e da sua tragicomédia de viverem sem se sentirem a viver.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fico tão só como Croce ou como Unamuño perante a beleza da evanescente loucura de me ser&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e em que continuamente me digo e redigo: vai até onde puderes, meu filho, como naquela "Carta a Greco", o tal que perante a Inquisição que lhe perguntava "de onde vieste?" "porque vieste?" respondia simplesmente "não tenho que dar contas a ninguém".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E depois venho ter comigo porque já não tenho certeza se me apetece continuar a esperar por mim, e lá vou, comigo, a caminho das minhas betesgas e dos meus becos sem saída, apanhando coisas que os outros vão deitandoi fora, trapos, ferro-velho e até pedaços de mim, dos meus sonhos esfarrapados pelas pedras soltas da calçada, como peças de um puzzle que é esta vida que não consigo construir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3754382225795472402?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3754382225795472402/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3754382225795472402&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3754382225795472402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3754382225795472402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/05/estetica-e-tragedia.html' title='Estética e Tragédia'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-711665657853406824</id><published>2011-05-28T16:24:00.005Z</published><updated>2011-05-28T17:41:54.290Z</updated><title type='text'>Sem título, que é como começa sempre o que em mim nunca acaba</title><content type='html'>Não vinha aqui ao meu blog há já uns meses. Tinha deixado de conseguir entrar e só agora é que um amigo meu, num perfeito passe de magia, me ensinou, afinal, o que eu há muito devia saber. Mais uma vez provo a mim mesmo que nada se descobre, tudo se reencontra. &lt;div&gt;A verdade é que tenho uma má relação com as máquinas, tão má como de boa tenho com tudo o que é humano. Chego mesmo a ser, como um dia me disse um amigo meu, e com toda a razão, desumanamente humano.&lt;div&gt;Mas não me esqueci de continuar a escrever. Isso seria um pouco como me esquecer também de existir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fui escrevendo, aqui e ali, num guardanapo de papel, nas últimas páginas em branco de um livro que estivesse a ler, parando num recanto qualquer da estrada para rabiscar no bloco de notas que tenho sempre no carro, o que se tornava urgente anotar, senão esqueçia-me.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Às vezes, a meio da noite, com uma espertina, mas porque não quero acordar a minha Mulher, escrevo às escuras, o que nem sempre dá bom resultado pois as palavras ficam encavalitadas umas nas outras, sem que de manhã as consiga ler. Só se recorresse a um criptólogo, ou a uma daquelas máquinas que se usavam no tempo em que fiz a guerra em Moçambique, e cifravam e decifravam as mensagens para que o inimigo as não pudesse entender, se bem que eu, aos meus inimigos, até gostasse que me entendessem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas fica, ao menos, uma perfeita imitação de um  palimpsesto, só que como não apago nada, não posso, fica mesmo uma criptografia indecifrável, mesmo por mim.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E dou comigo a pensar que escrevo muito como se quisesse esconder alguma coisa de olhos menos amigos, profanos, inconscientemente, como que para guardar o que escrevo apenas e só para quem amo e sei que me ama e sabe ler. Assim ficam coisas em segredo, ou segredadas apenas, entre mim e aqueles que amo, embora reconheça, como diz o provérbio árabe, que quem não tem inimigos não tem valor. E é verdade, no fundo não me importo de ter inimigos, de algum modo, sempre me podem engordar o ego. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Manias, timidez, ou simplesmente o ser cioso daquilo que digo e é muito meu, já que como dizia um escritor grego dos nossos dias, "toda a minha vida é um grito e toda a minha obra a interpretação desse grito".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não porque tenha segredos com os outros, a quem amo, não. Tenho quanto muito segredos comigo mesmo, o que me deixa a pensar que muito provavelmente não me amo o suficiente para mos permitir contar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fico sozinho comigo, envolto no meu corpo que como li em alguém,  é esse tudo à minha volta, mais a sua ausência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E volto a ler Dionyseos Solomos, o poeta nacional da Grécia moderna, que me fascina por nunca ter acabado de escrever nada, a não ser o Hino à Liberdade, hoje o hino do povo grego.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Livre, se calhar, é nunca querer acabar e viver como se isso fosse humanamente possível. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-711665657853406824?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/711665657853406824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=711665657853406824&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/711665657853406824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/711665657853406824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/05/sem-titulo-que-e-como-comeca-sempre-o.html' title='Sem título, que é como começa sempre o que em mim nunca acaba'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7274905923321317578</id><published>2011-02-05T18:05:00.004Z</published><updated>2011-02-05T19:15:38.589Z</updated><title type='text'>PORQUE SÓ OIÇO O TEU OLHAR</title><content type='html'>Não pertenço a nenhum grupo, a nenhum partido, a nenhum club, a nenhuma corrente filosófica, literária, estética. Não pertenço a nada nem a ninguém, a não ser aos que amo. E são poucos, tão poucos, alguns. Uns que escolhi, outros que a vida me foi emprestando. Por isso, quanto muito, sou alguém diluído em alguém, que na realidade é um grupo restricto, um grupo que sou sempre eu e o outro. Que sou sempre eu e tu, minha adorada, meu doce olhar.&lt;div&gt;No que escrevo há de tudo, e a tudo vou buscar o que vou sentindo e vou escrevendo, neste passar pela vida, vivendo. Não sou sequer um ser, sou um sendo, um permanente gerúndio de mim, um sem fim na busca de me ser, a pouco e pouco, em ti. Não, nada me faz sentido se tu não fores o que vou sendo, o que vou tendo neste amor que, um pelo outro, temos tido. &lt;div&gt;Não perpassam por mim correntes de ar, a não ser o bafo quente de te sentir, mas há sim, em mim, dentro de mim, como que uma corrente marítima, de águas muito fundas, mas que apenas passam pelos mindanaus do teu olhar, ou das tuas mãos sempre feitas de luz, de calor, ou da pureza dos teus gestos, onde me afogo até me faltar o ar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem sei, às vezes, se Deus existe. Sei, isso sei, que me sinto filho Dele e O amo, mesmo sem o conhecer, no mesmo mistério de te ter um dia no encontro em que por fim me possas ser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também tenho a minha Arca Perdida, e porque sei que anda perdida algures dentro de mim, nestes labirintos de que me faço e me desfaço, enquanto a procuro sem perceber que a carrego, arrasto, empurro, sempre para dentro de um não sei, que és tu, nesse me seres em mim, Arca da Aliança, Torre de Marfim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o meu corpo é uma permanente e possível actualização da minha alma, é uma barcaça em que me deixo levar por este rio abaixo que é sentir-te, e ter-te dentro de mim envolvida neste sonho que nos abraça. Uma "barcarola" que tocamos a quatro mãos no piano da nossa vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, eu não pertenço a nenhuma corrente literária, nem musical, nem da pintura em que a cores fortes pinto sempre de azul o teu olhar. Apenas sou a corrente que me amarra a ti, bóia onde há quase quarenta anos fundeei o meu navio, e donde parto e partimos, sempre os dois, por mares que só nós dois é que sabemos serem sempre o teu olhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É por isso que ao lêr Cortázar vou dando também eu, a volta ao dia em oitenta mundos, e em que só um é o meu, o de nós dois, de mais ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E tudo isto me grita tão alto, que nem consigo ouvir, o que me dizes, ao ouvido, porque só consigo ouvir o teu olhar.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7274905923321317578?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7274905923321317578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7274905923321317578&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7274905923321317578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7274905923321317578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/02/porque-so-oico-o-teu-olhar.html' title='PORQUE SÓ OIÇO O TEU OLHAR'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7253203565467163443</id><published>2011-01-29T21:16:00.010Z</published><updated>2011-01-29T23:31:56.352Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Cheguei-me à janela do meu quarto e vi coelhos a passearem as suas ilusões pelo meu jardim. E senti-me a ir com eles, também em passeio pelas minhas ilusões a caminho da Serra, lá mais ao fundo. E a folhagem da Serra, era uma manta de retalhos todos a verde, nos mais variados verdes, alaranjados, amarelados, acastanhados, encarniçados. &lt;div&gt;E todas estas cores em verde iam sendo o camaleão de mim mesmo, e a que me fui moldando, feito árvore também, feito serra, feito azul do céu, desse céu que são os teus olhos azuis, que as tuas mãos me exigem e apontam nos retalhos de muitas cores de que me vou fazendo, não na busca da harmonia das esferas, mas na da harmonia dos contrários.&lt;div&gt;Pode haver música sem tempo, mas custa-me passar o tempo sem música, porque tudo para mim é cada vez mais música, num longo e perpétuo acorde, que me acorda a cada momento para a realidade de mim, e me faz sentir a ouvir inquieto e amedrontado, um encantador de serpentes a tocar numa flauta para que a sua cobra capelo, fosse levantando a tampa do cesto e fosse mostrando o seu pescoço dilatado. Foi em Gôa e tinha eu seis anos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora estou a envelhecer, a lembrar-me de coisas, a recordar outras, a pensar que "Este país não é para velhos" que os irmãos Coen realizaram e me lembram os meus primos Cohen com h. Os Cohen das doze tribos de Israel. Oh! diáspora que também sou eu, cada vez mais perdido no mundo e pelos mundos à procura já nem eu sei bem de quê. De mim, talvez! De ti, com certeza! Mas tu não me compreendes, ninguém me compreende, nem eu já sei o que é compreender.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E  já não oiço bem os acordes da música que sempre tocou em mim. Só ruídos normais, das coisas do dia-a-dia e com que continuo os meus diálogos com a vida. E apetece-me ser outro, e ser capaz de ir sozinho para a Letónia e viver como Thomas Man e deixar como ele pegadas nas dunas do Báltico, e depois escrever a "Morte em Veneza" e ser o próprio Tadziu e vêr nele a beleza e a morte, ou ir para Capri, e para a abadia do Monte San Michel, e por lá ir ficando com Axel Munthe, esse professor da ternura, mestre da generosidade, e andar com ele nas ruínas do palácio de Tibério, o que nele se recolheu depois da morte do filho e a quem Plinio o Velho chamou "tritissimus hominum", o mais triste dos homens, como tantas vezes me sinto também eu, por nã conseguir mudar este mundo em que vivo e que acho sempre pequeno para os meus sonhos. Mas tenho eu que ser a mudança que quero ver no mundo, como disse Gandhi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entretanto tinha-me afastado da janela do meu quarto, e quando lá voltei já não vi os coelhos e o Sol já se escondia por detrás da Serra e senti que tinha apenas por companhia o frio de mais uma vêz ver a desaparecerem as minhas ilusões.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro de mim comecei então a ouvir o prelúdio para piano,  "La Cathedrale Engloutie" que Claude Debussy escreveu no Monte de San Michel e percebi que "o tarde demais não é um acidente que se dá no tempo, é uma dimensão do próprio tempo".&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7253203565467163443?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7253203565467163443/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7253203565467163443&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7253203565467163443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7253203565467163443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2011/01/cheguei-me-janela-do-meu-quarto-e-vi.html' title=''/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8767970625649460277?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8767970625649460277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8767970625649460277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8767970625649460277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8767970625649460277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2010/08/blog-post.html' title=''/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8532738428584665182</id><published>2010-07-30T14:06:00.009Z</published><updated>2010-08-01T18:27:01.029Z</updated><title type='text'>Há lodo no meu cais</title><content type='html'>Hoje apetece-me escrever sobre um tempo que sinto estar suspenso dentro de mim, numa incansável e interminável espera do amanhã. E fico, não raras vezes angustiado, com uma sensação de desperdício, de ser um sub-aproveitado, não pelos outros, que me são rigorosamente indiferentes, mas por mim mesmo, ou por este mim que os outros na sua pequenez não entendem, mas que eu também ao mesmo tempo, não faço o mínimo esforço para que me entendam. Não, não pensem que sou um misantropo, longe disso! Há pessoas que simplesmente adoro e que sinto que por mim nutrem o mesmo sentimento. &lt;div&gt;Também em tempos li Shopenhauer mas não me convenceu. Até prefiro Kierkgaard porque sempre escreveu "O Conceito de Angústia" o que, como escrevi em cima, muitas vezes me assalta, e o "Desespero Humano" que tantas vezes também tem a ver comigo, sobretudo quando olho à minha volta e vejo tanta gente medíocre e pequena, mas sempre a pôr-se em bicos dos pés. Por elas é que com certeza não se suspende o tempo dentro de mim. Nem o tempo nem nada. Porque com elas também nunca acontece nada.&lt;div&gt;Depois olho para o que tem sido a minha rede de afectos, de cumplicidades, de influências, as encruzilhadas onde também me perdi tantas vezes em busca de sentidos ou do sentido. E ajudado pelo tempo, fui esculpindo as tuas formas e fiz delas veículos para o sentido que procurava encontrar até no não sentido. E dei passos, percorri caminhos, fui faseando intenções sem as quais nunca haveria processo. E vi cada vez mais que não havia um antes e um depois, mas sempre um aqui e um agora, esse hic et nunc latino a que reduzia as horas e os dias e até o que ia pensando de ti enquanto nos beijávamos. E te ia sentindo. E isso sempre me levou a constantes aventuras, que me obrigaram a passar rubicões e a cortar nós górdios, enquanto me encaminhava para ti. E tudo foi ganhando formas, que se transformaram em ideias que depois voltaram a ser formas para por fim chegar a ti, Pessoa. Oh! como te amo mesmo assim! E como o meu tempo suspenso se solta, por fim, para te abraçar sem fronteiras a não ser a da compreenssão e da aceitação de que como Mahler ou Bernstein também eu nunca em vida serei reconhecido como compositor. E fui-me pôr a ver, pela enésima vez um filme da minha infância, "Há Lodo no Cais". E mais uma vez não fui eu a ganhar o Oscar de Melhor Actor. Continuou a ser Marlon Brando.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8532738428584665182?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8532738428584665182/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8532738428584665182&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8532738428584665182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8532738428584665182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2010/07/ha-um-tempo-suspenso.html' title='Há lodo no meu cais'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-558327432025023521</id><published>2010-07-29T14:25:00.006Z</published><updated>2010-07-29T15:15:09.467Z</updated><title type='text'>Agradeço a quem me encontrar o favor de me contactar</title><content type='html'>É isso. Não sei bem de mim, onde possa estar, mas conto com a ajuda dos outros para ver se me encontro. Perdi-me. Também já não é a primeira vez, mas, com toda esta confusão em que toda a gente de uma maneira ou doutra, anda também perdida, confesso que sinto uma dificuldade cada vez maior em encontrar alguém que me dê alguma informação útil, que me conduza até mim. &lt;div&gt;Talvez a relação que tenho, em termos de qualidade, com a minha alma não seja de todo a melhor, o que obviamente não me ajuda nada. Como aprendiz de poeta, procuro sempre ir ao âmago de mim, das minhas experiências e formas de olhar o mundo que me rodeia, mas é exactamente nesse percurso que acabo por me perder. No entanto tenho com o mundo aquilo a que Goethe chamava "afinidades electivas", e como esse mundo a que me refiro é feito, essencialmente, de pessoas, o primeiro contacto ou é bom ou não é, porque detesto ficar numa relação com sombras. E se por acaso tenho mesmo que ficar com alguma, lembro-me de Adelbert von Chamisso, e pego numa tesoura, recorto-a, e guardo-a num bolso, daqueles de que me sirvo sempre para nele deixar esquecido o que não quero que me faça falta. E pego num livro, que não sendo uma pessoa é um objecto de que habitualmente gosto sem grandes rebuços. Tenho uma boa relação com os livros, uma quase cumplicidade ou aquilo a que Mozart chamava "coisas de pura intimidade". E continuo perdido nesta alma poética que já de si é um universo. E torno-me um perfeito dependente, porque em boa verdade esta é uma droga em que ando metido desde a primeira adolescência. Sem dúvida a minha droga de escolha. E fico quase numa angústia de fragmentação, do tipo das que Jean Cocteau sentia quando era internado para fazer as suas desintoxicações de ópio. Porque vivo os livros, como se fossem gente, e não consigo ser fiel a um só, não consigo ter um livro da minha vida, porque são sempre vários os livros das minhas vidas, porque também as tenho, muitas e variadas. Perdi-me outra vez! Não, não é um diletantismo qualquer, é mesmo esta minha maneira de ser quando ando à minha procura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-558327432025023521?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/558327432025023521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=558327432025023521&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/558327432025023521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/558327432025023521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2010/07/agradeco-quem-me-encontrar-o-favor-de.html' title='Agradeço a quem me encontrar o favor de me contactar'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-8416296424954191590</id><published>2010-07-10T09:13:00.093Z</published><updated>2010-07-10T11:17:57.090Z</updated><title type='text'>MEU NOME É CONSTRUÇÃO</title><content type='html'>Como construtor de textos, sinto-me também um pouco construtor de mundos, pelo menos dos meus mundos, embora quando olho em meu redor, nunca consiga ver muito bem o mundo, e muito menos esses outros mundos, porque tanto o mundo como os mundos de que me faço estão dentro de mim e, muitas vezes, egoisticamente fechados a sete chaves dentro de mim.&lt;div&gt;Mas sei que o mundo que consecutivamente se constrói e se destrói, é tal e qual como eu, quando também faço dos meus dias, arenas onde combato e me combato, e donde saio ora vencido ora vencedor, num ciclo sem fim de construçao e de reconstrução.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E vou atrás de mim, à minha procura, ou à procura da essência de mim tantas vezes perdida no não sei. E ás vezes penso que já nada me resta, só símbolos, numa representação de todas as experiências que vivi, num secretismo que não quero desvendar, enquanto não conseguir descer por mim abaixo, por este poço sem fundo que sou sempre eu e a minha verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro-me dos quadros de Jeronimus Bosh (o Sagrado, o Secreto Nome do Bosque) e, porque há sempre um bosque dentro de mim, onde me perco e amedronto, mas onde também é nele que me confronto, luto e defronto sem me querer descobrir, nos sabores, nos cheiros, nas cores da vida e dos teus olhos tristes e também sempre secretos. E paro a olhar com cuidado para as "Tentações de Santo Antão". E estou lá, meu Deus, estou lá, de tantas formas, com tantas cores, com tantas e tão variadas possibilidades de interpretação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E vejo que não é só a vida que me foge, sou também eu quem foge da vida. E leio os clássicos, e leio os antigos, e todos me dizem o mesmo: sem os outros não vives, embora possas morrer sem eles. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E construi espaços e tempos para me conseguir aproximar ou afastar da vida e dos outros. E dei comigo a perguntar-me: será que apenas me quero afastar de mim, criar distâncias entre mim e mim mesmo para então no espaço vazio que houver, por fim me construir?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando me comecei a entreter com ver o tempo a começar a ser tempo, e a passar por mim, com tempo, e eu a continuar nesse tempo em busca do meu próprio fim. Olhei então os teus olhos e eles disseram-me que não. Que loucura! E construi o meu nome com as letras da minha imaginação. E o meu nome passou a ser procura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-8416296424954191590?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/8416296424954191590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=8416296424954191590&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8416296424954191590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/8416296424954191590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2010/07/meu-nome-e-construcao.html' title='MEU NOME É CONSTRUÇÃO'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2330292712836953537</id><published>2010-07-09T19:21:00.004Z</published><updated>2010-07-09T21:27:57.091Z</updated><title type='text'>O SONHO E A FOME</title><content type='html'>Eu sei que os sonhos passam mas que a fome dura toda a vida. Esta fome que já não te sonha mas que só pode ser mitigada por ti, num quase querer ter fome de fome, neste sofrer de mim, onde tu queres que eu me ponha.&lt;div&gt;Os sonhos que sonhei debaixo daquela figueira brava, acabaram por morrer e eu acabei também por os esquecer. Depois, muito depois, olhei angustiado para a figueira brava e ela ainda lá estava. Eu é que já ia muito longe, agarrado ao sonho que me sonhava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E sempre a sonhar lembrei-me de quando te comia baga a baga até chegar à flor do tempo, ao fruto de todo este esquecimento, de não seres mais do que uma figueira brava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Partiste e eu voltei a sonhar-te, imagem que não perdi, por entre as cores e os sons, que depois pintei e compus, só para ti, enquanto o meu coração se lembrava do teu olhar, dos gestos que me diziam não, daquele futuro que eu nunca mais queria ler na tua mão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Riscos, traços, poros abertos pelo suor da vida, tu eras tudo, e a tudo tu me cheiravas, por tudo tu me deixavas, nesta ânsia de te ter, de te ver um dia ao meu lado a pintar e a compor, os dias de que fizemos os dias, o tempo de que fizemos o nosso envelhecer, na fome de nos querermos sonhar deitados, lado a lado, debaixo dos ramos daquela figueira brava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E puz-me a imaginar Sísifo feliz, apesar! Olhei depois para o céu e soube quem eras, que nome te podia dar. Olhei depois para o inferno, perdido sem saber como lhe chamar, nem onde nele ir buscar o inferno dos teus olhos, desse azul feito de mar, desse teu gesto que sempre me soube encontrar, para me dar a benção, in articulum mortis, enquanto duas tubas tocavam, uma baixo, outra tenor, equilíbrios que me encantavam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando peguei no meu eufónio, e fui um nibelungo qualquer que inventei nessa altura. Toquei sem saber o que tocava, num improviso de mim, num azul de que me fazia, sem ter fim, nem princípio, numa areia em tons de azul onde pisávamos os nossos próprios passos até nos perdermos pelas dunas deste nos sentirmos, por ares e ventos, esfomeados, restos de sonhos sonhados, debaixo daquela figueira brava donde já não se podia ver o mar, lá ao fundo, onde tu estavas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2330292712836953537?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2330292712836953537/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2330292712836953537&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2330292712836953537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2330292712836953537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2010/07/o-sonho-e-fome.html' title='O SONHO E A FOME'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-3200067038085542390</id><published>2010-07-09T18:47:00.004Z</published><updated>2010-07-09T19:17:38.291Z</updated><title type='text'>ESPEREI</title><content type='html'>Esperei. Esperei como quem reza ou como quem mente. Mas tu não apareceste, e foste tu quem me mentiu. E eu acreditei, como quem espera, como quem sente.&lt;div&gt;Depois parti em busca do tempo que perdi. E tu estavas nele. E eras tempo. E  nunca mais me esqueci dos teus olhos, que guardaram o tempo bem dentro de ti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje não sei onde te meteste. Não sei sequer se te perdeste. Sei quem tu és, sei que te vi naquele fim de tarde, com o mar em fundo e uma música barroca dentro de mim a tocar. Encaminhei-me para o mar. A areia estava quente e a queimar-me o coração descalço. E esperei que o mar viesse suavemente até mim, com toda a sua imensidão onde sempre me perdi. E tu não estavas lá, nem os teus olhos me disseram mais uma vez que sim. Tu que foste sempre o meu irmão colaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fiquei à beira mar, à beira tempo, na solidão de te ver partir, num barco que naquela altura inventei, para que fosse só nosso e contigo também pudesse ir. Mas o barco era frágil, não tinha velas nem leme. Era mais uma jangada cheia de loucos, que como antigamente, se esperava que se afundasse e a loucura de toda aquela gente se curasse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Salvei-me no último momento, quando vieste ter comigo sem eu te ver, por trás de mim, e me abraçaste.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando deixei de esperar, e fiquei simplesmente à espera que aquele teu abraço nunca mais acabasse. E ainda hoje o trago sempre comigo, como se fosse um amuleto sagrado, uma reza, um destino. E deixei-me cair na areia, só, destroçado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E soube-me a fim, quando vi que te tinhas esquecido de tudo, e até de mim. Mas mesmo assim, esperei, com a esperança de um desesperado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-3200067038085542390?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/3200067038085542390/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=3200067038085542390&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3200067038085542390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/3200067038085542390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2010/07/esperei.html' title='ESPEREI'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-1535878841852566728</id><published>2010-04-24T20:19:00.004Z</published><updated>2010-04-24T22:25:37.967Z</updated><title type='text'>Prisão</title><content type='html'>Deito para trás das costas os meus cansaços, e sinto-me livre, numa liberdade imensa para tudo e em tudo, feito do nada e do tudo que para mim faz sentido. E penso que penso e até penso que sou, quem penso.&lt;div&gt;Porque penso o que quero, sinto o que quero, sou como quero, apesar desta prisão de que me fiz e que é o mais autêntico dos absurdos, eu sei! Mas é uma prisão com as paredes forradas a oiro e a pedrarias, o chão é todo em lápis lazuli, o tecto é feito de sonhos, e, embora o espaço nunca para mim fosse grande - mas que, no entanto, sempre foi  suficiente para nele, todos os dias, dar "a volta ao dia em oitenta mundos" - tem uma porta larga que dá para um páteo de onde posso olhar o céu, sempre que quero, sem nunca o conseguir ver só do tamanho que ele tem por cima da minha cabeça, porque o vejo sempre do tamanho do sonho, que te sonha a ti, nesta imensidão de te querer, e nunca saber afinal, quem és. Quem sou!&lt;div&gt;E junto-me sempre que me apetece, ao coro da prisão, e canto com eles, à capela, coisas que um polaco, Krzysztof Penderecki compôs para mim numa altura em que viveu no Estoril e era meu vizinho. Estava-se em plena Segunda Guerra Mundial, e eu já era bastante velho nesse tempo, se é que já não tinha morrido. Não me consigo lembrar. Eu tenho morrido tantas vezes, por ti, meu amor, por amor! Tenho morrido tantas vezes... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu próprio compunha às vezes uns "lieder", a imitar Schubert, ou Wolf sempre que  me sentia um "Pássaro Azul" e o carcereiro me deixava sair para jantar numa tasca que havia mesmo em frente da prisão, - ele confiava tanto em mim que tive que o trair um dia, para lhe provar como era livre -  e eu, como não tinha dinheiro, pagava sempre o que comia nesses jantares, com um "lied", que no entanto nunca era em alemão mas sempre em línguas que inventava na altura, conforme o meu estado de espírito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois ia passear esta minha alma sempre dividida entre a beleza e a beleza e quando me encontrava, sorria-me, cumprimentava-me, convencido que me conhecia de qualquer lado. Mas eu era sempre o outro, e por timidez ou cobardia, acabei por nunca me conhecer. Ou ao outro, não sei bem. No fundo sou sempre esta mistura de mim com o outro, procurando nunca ser alguém. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas sou livre, a verdade é que sou livre, e de tal maneira livre, que me torno sempre num escravo desta minha liberdade. É quando passo mais facilmente desapercebido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando te sorri mais uma vez, sempre convencido que te conhecia só porque te sonhava e queria. E eu eras tu, e tu, eras sempre o outro. De mim, só me restava a mim. De ti, sempre me ficou este a sonhar-te sem ter fim.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-1535878841852566728?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/1535878841852566728/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=1535878841852566728&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1535878841852566728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/1535878841852566728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2010/04/prisao.html' title='Prisão'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-5397906650468335089</id><published>2010-04-19T16:15:00.004Z</published><updated>2010-04-19T16:58:21.896Z</updated><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>Ainda a noite, maiêutica de mim, deixava o dia rasgar-lhe a carne, para do útero fecundado pela minha insónia, nascer o dia, já eu me punha também à espera de Godot. Triste ideia esta que me fazia sentir que não conseguia perceber se estava à espera de Deus, se da minha própria condição. A humana. Mas não, "eu sou eu e a minha circunstância" como dizia o Ortega y Gasset. Mais nada. E por isso esperei em vão, nesse deserto de mim, se calhar à tua espera, sem saber sequer quem és, afinal. Se Deus, ou se simplesmente "o outro". Mas esperei, embora não soubesse quem era esse Godot. E senti-me mais só que a solidão e chorei lágrimas que me correram por mim adentro, para não terem por onde poder sair. Foi quando me refugiei num canto de mim e que de propósito mantenho escondido e como que abandonado, sem préstimo nem serventia e que só eu conheço. Mais ninguém. E já não estava tão só: tinha o meu canto. E o meu canto era e não era eu. &lt;div&gt;Foi de lá que então parti à procura de Hamlet para saber se a questão estava de facto em eu ser ou não ser eu. Mas ele já se tinha suicidado, e já fedia, como o reino da Dinamarca e como o meu. E fui Ofélia enrrudilhada nos meus próprios pensamentos. E à medida que o Sol se levantava e se começavam a ouvir os vagidos do dia a nascer, eu voltei a descer aos meus infernos interiores e adormeci a pensar em ti, meu amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-5397906650468335089?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/5397906650468335089/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=5397906650468335089&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5397906650468335089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/5397906650468335089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2010/04/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-2242442921567811319</id><published>2009-12-12T17:39:00.005Z</published><updated>2009-12-13T14:48:18.079Z</updated><title type='text'>a cara de uma cara</title><content type='html'>Tinha uma cara escura, não porque estivesse tisnada pelo sol da praia, mas porque se sentia enegrecido por dentro, como se até fosse uma outra pessoa, tanto por dentro como por fora. Talvez por isso às vezes até lhe custasse falar. Pesava as palavras, sem saber nunca se as devia dizer ou se as devia calar, e, na maior parte das vezes acabava mesmo por não dizer nada, numa espécie de pudor para com a vida, para com os outros, para com ele próprio.&lt;div&gt;E havia um misto de alegria e de tristeza, um sofrimento que se entranhava e começava a fazê-lo esmorecer, decair, como se lentamente se encaminhasse para a morte ou para uma outra espécie de fim qualquer que ele não conhecia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem dentro de si travava-se uma luta invisível, onde os sentimentos contraditórios se entrechocavam e eram sempre antagónicos, cavando um fosso cada vez mais fundo entre a grandeza que sentia haver na sua alma e a miséria em que se sentia a cair por não ser capaz de expressar fosse a quem fosse o que se passava bem dentro de si. Não confiava nos outros, que achava sempre de uma pequenez sem limites. E todo o desejo não era mais do que um vento que passava, levantava o pó da vida, abanava as folhas das árvores que por ali havia e continuava a sua correria como se fosse uma criança atrás de um papagaio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ele deixava-se arrastar nessa correria, nesse rodopio, para se entontecer e esquecer, que a vida era isso mesmo e não o que ele sonhava e guardava, fechada a sete chaves, bem dentro de si. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, lentamente, como que rejuvenescia, e continuava, teimosamente, a sua busca daquilo que no fundo sabia que nunca mais encontrava. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-2242442921567811319?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/2242442921567811319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=2242442921567811319&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2242442921567811319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/2242442921567811319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2009/12/cara-de-uma-cara.html' title='a cara de uma cara'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7190364796163140480.post-7616539909014661216</id><published>2009-12-12T14:35:00.003Z</published><updated>2009-12-12T15:05:01.172Z</updated><title type='text'>terra- corpo</title><content type='html'>Sinto-me preso à terra, abraçado pela terra, como se todo eu fosse uma raiz, que sem que ninguém a veja, me dá vida. Me faz ter um corpo. E começo a pintar o desejo, o desejo de desejar e ser o próprio desejo, e ser, para além de mim, o sonho, com que sonho tudo isso. Nessa altura debruço-me sobre a metafísica do corpo, sobre a ideia de que não tenho um corpo, mas que sou um corpo. E sou terra, húmus, homem.&lt;div&gt;E fui mais uma daquelas caras, que ávidas procuram alguma coisa, em algum lado, sem saberem o que procuram, sem saberem mesmo quem é que procura o quê. Sabem que querem qualquer coisa, o que não sabem é o que é essa coisa. Uma espécie de Princípio de Incerteza de uma espécie de Werner Heisenberg. Foi quando subi ao monte para me sentir mais perto do céu. Ou de ti? E fiquei com as pernas envoltas em nevoeiro e nunca mais vi os campos, onde me deitava na terra, que beijava, e onde me  rebolava e chorava, por não conseguir fazer amor com ela. E lá em cima, no monte, podia tocar na minha dor sem que ninguém me visse, e ouvir a noite e o silêncio, sem que ninguém me ouvisse, e não ser nem da agua donde vim, nem da morte para onde me vou encaminhando, nem sequer da vida que me dá a mão, que beijo com toda a ternura e  sofreguidão, parte desse corpo de terra que se me larga, caio desamparado no vazio de mim, e é o inferno.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7190364796163140480-7616539909014661216?l=noite-transfigurada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/feeds/7616539909014661216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7190364796163140480&amp;postID=7616539909014661216&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7616539909014661216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7190364796163140480/posts/default/7616539909014661216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noite-transfigurada.blogspot.com/2009/12/terra-corpo.html' title='terra- corpo'/><author><name>JMA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16798133953267115759</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
